12 outubro 2008


TOQUES




Minhas maos tocam
seus do-ré-mis
como se fosse uma pianista
das mais famosas
conheco cada tecla
alto solfejo, baixo tom
cada sonho!


no seu silencio: intuo!
no seu riso: alegro-me!
na sua tristeza: entristeço-me!


Minhas maos percorrem
todo seu teclado
e deitado ao meu lado
seu corpo regojiza
seu rosto se contorce
voce dirige minhas maos
com seu desejo


no seu gemido: me encontro!
no seu espasmo: me uno!
no seu abandono: eu sonho!


Em sua boca, bebo seu amor
gota por gota
introduzindo a lingua afoita
nossos corpos tremem
nossas peles se molham
os pelos se eriçam
sentimentos desfolham...


no seu silencio: eu grito!
no seu gesto: eu me entrego
no meu silencio: eu me assisto!


Mary Fioratti



10 outubro 2008



NESSA MANHÃ




Nessa manhã eu pensei
em um verso de amor
Ele veio do meu coração
transformou-se em pensamento puro
moldou-se em minhas mãos
Parei na primeira estrofe
e contemplei seu rosto
na tela do meu pensamento

Nessa manhã eu pensei
em uma frase de efeito
que deixasse voce sem jeito
um arremedo de desejo
um olhar de gata manhosa
uma frase forte, apaixonada
E somente vi seu rosto, e mais nada

Nessa manhã eu pensei
em lhe entregar versos de amor
aqueles puros, imaculados
que bordam no céu do pensamento
como estrelas no firmamento
concentrei-me em minha inspiração
E só consegui ouvir meu coração

Nessa manhã eu acordei
com aquela saudade latente
da sua voz tao presente
que faz parte dos meus dias
Espreguiçei-me em meu pensamento
e como uma borboleta esvoaçante
transformei-me em poesia


Mary Fioratti


25 setembro 2008



O MARKETING DA ALMA É FEITO COM NOSSO CORAÇÃO




Vou comecar aqui colocando um texto que circula pelo internet e voces ja devem ter lido. Esse texto me fez pensar muito. Nao achei o autor. Se alguem souber, por favor, me diga, e eu faco questao de colocar aqui.




*GESTÃO DO FÓSFORO*

'Um fósforo, uma bala de menta, uma xícara de café e um jornal: Estes quatro elementos fazem parte de uma das melhores histórias sobre atendimento que conhecemos.
Um homem estava dirigindo há horas e, cansado da estrada, resolveu procurar um hotel ou uma pousada para descansar. Em poucos minutos, avistou um letreiro luminoso com o nome: Hotel Venetia.

Quando chegou à recepção, o hall do hotel estava iluminado com luz suave.
Atrás do balcão, uma moça de rosto alegre o saudou amavelmente:
'-Bem-vindo ao Venetia!'
Três minutos após essa saudação, o hóspede já se encontrava confortavelmente instalado no seu quarto e impressionado com os procedimentos: tudo muito rápido e prático.
No quarto, uma discreta opulência: uma cama, impecavelmente limpa, uma lareira, um fósforo apropriado em posição perfeitamente alinhada sobre a lareira, para ser riscado. Era demais! Aquele homem que queria um quarto apenas para passar a noite começou a pensar que estava com sorte.
Mudou de roupa para o jantar (a moça da recepção fizera o pedido no momento do registro). A refeição foi tão deliciosa, como tudo o que tinha experimentado, naquele local, até então. Assinou a conta e retornou para quarto.
Fazia frio e ele estava ansioso pelo fogo da lareira. Qual não foi a sua surpresa! Alguém havia se antecipado a ele, pois havia um lindo fogo crepitante na lareira. A cama estava preparada, os travesseiros arrumados e uma bala de menta sobre cada um... Que noite agradável aquela!
Na manhã seguinte, o hóspede acordou com um estranho borbulhar, vindo do banheiro. Saiu da cama para investigar. Simplesmente uma cafeteira ligada por um timer automático, estava preparando o seu café e, junto um cartão que dizia: 'Sua marca predileta de café. Bom apetite!'
Era mesmo! Como eles podiam saber desse detalhe?
De repente, lembrou-se: no jantar perguntaram qual a sua marca preferida de café.
Em seguida, ele ouve um leve toque na porta. Ao abrir, havia um jornal.
'Mas, como pode?! É o meu jornal! Como eles adivinharam?'
Mais uma vez lembrou-se de quando se registrou: a recepcionista havia perguntado qual jornal ele preferia.
O cliente deixou o hotel encantando. Feliz pela sorte de ter ficado num lugar tão acolhedor.

Mas, o que esse hotel fizera mesmo de especial? **Apenas ofereceram um fósforo, uma bala de menta, uma xícara de café e um jornal. **
Nunca se falou tanto na relação empresa-cliente como nos dias de hoje. Milhões são gastos em planos mirabolantes de marketing e, no entanto, o cliente está cada vez mais insatisfeito mais desconfiado. Mudamos o layout das lojas, pintamos as prateleiras, trocamos as embalagens, mas esquecemo-nos das pessoas. O valor das pequenas coisas conta, e muito. A valorização do relacionamento com o cliente. Fazer com que ele perceba que é um parceiro importante!!!

Lembrando que:
**Esta mensagem vale também para nossas relações pessoais (namoro, amizade, família, casamento) enfim pensar no outro como ser humano é sempre uma satisfação para quem doa e para quem recebe.
**Seremos muito mais felizes, pois a verdadeira felicidade está nos gestos mais simples de nosso dia-a-dia que na maioria das vezes passam despercebidos. ' **



É interessante ver como esses pequenos detalhes cativaram a pessoa que foi nesse Hotel. Assim como nós, quando vamos em lugares que existem essas pequenas atenções, sentimos que estamos sendo valorizados como “pessoa”.
Ai esta a estratégia: a valorização do ser humano.

Passamos por tantas experiencias todos os dias, e muitas vezes não as percebemos. Elas são muitas vezes tão automáticas que passam por nos sem ativar nosso pensamento. E sem provocar aquele desejo de um gesto que pode realmente “fazer a diferenca”.

Existem algumas coisas que eu inseri no meu dia a dia, e faço isso como um “trabalho de casa”, “um homework” vamos por assim dizer.
Eu me proponho a todos os dias, agradar uma pessoa. Ou prestar atençãoem qualquer outra pessoa. Ou ouvi-la. Ou aborda-la com uma pergunta.
E é tão interessante notar quanta coisa aprendemos com essa abordagem. Não somente fazemos algo por alguém, mas recebemos de volta com uma intensidade muito grande. Quantas pessoas estao a espera de um contato, de uma pergunta, de algo inesperado?
Como uma sementinha que plantassemos...


Trabalhei em uma Cia aqui em Cincinnati durante 10 anos. Toda as sextas-feiras eu fazia um pão de queijo recheado com presunto. Começou assim inocentemente, e depois se tornou uma coisa que me agradava muito. Eu chegava de manhã com dois Pães, enormes,
(e custava tão pouco tempo em faze-los...), e via o olhar de alegria e satisfação dos eletricistas quando vinham na cozinha para comer um pedaço. Ou quando eu separava um pedaço para quem ainda não tinha chegado. E levava um para o Gerente do Almoxarifado, o Tom.

Aquilo para mim se tornou uma coisa que eu fazia com enorme prazer. E eu recebia tanto das pessoas em troca, conversas, troca de receitas, risos, piadas, era uma coisa que se tornou um habito que segui até o momento em que a empresa acabou. Como aqueles momentos de sexta-feira me enriqueceram!

Um costume que eu sempre tive: quando uma pessoa gostava de um colarzinho que eu estava usando, ou um anel, ou algo meu, eu sempre presenteava aquela pessoa em seu aniversario com aquilo. Era algo meu, mas que me dava imenso prazer em saber que eu estava presenteando alguém com algo que ela gostou, e que chegaria a ela com minhas vibrações. A vibração de amizade, de querer bem, que esteve comigo e tem um pouco de mim.

Então eu faço assim: olho para uma pessoa que esta carregando algo pesado, e pergunto se quer ajuda (principalmente velhos). Compro limonada das crianças que fazem banquinha na esquina. Fiz um acordo comigo mesma de ouvir pelo menos DUAS vezes por semana (o que realmente eh um sacrifício) as ligações que as pessoas fazem na casa da gente para vender. Sabem por que? Minha filha esta agora fazendo algo assim, e eu resolvi pensar nela... e pelo menos escutar, sem bater o telefone, e agradecer. Na verdade, eu penso que é o trabalho deles. Eu sei, isso é dificil mesmo!

Tudo isso, se pensarmos bem, é um “marketing de pessoas”.

Nesse artigo eu achei interessante uma coisa: fala-se tanto em marketing de produto...e no entanto, esquecemos que o mais importante é agradar as pessoas, para que elas cheguem no produto. Não eh assim? Não foi assim no caso desse Hotel? Pequenas coisas, muitas vezes quase inperceptiveis.

Não deveríamos agir assim com as pessoas? Fazer um marketing de sentimento? Especialmente para aquelas que não conhecemos. Com os amigos é tão fácil fazer marketing, não é mesmo? Amigos, a gente já gosta de graça! O difícil é fazer com aquelas pessoas que não conhecemos. Que não sabemos de onde vêem. Que não temos amizade. Que de uma forma ou outra, temos um preconceito interior. Sim, porque todos nos temos preconceitos e precisamos trabalhar neles. Nao concordam?

Quando cativamos pessoas, sempre recebemos algo em troca. Mesmo que a reação seja negativa, estamos aprendendo com essa reação.
Por exemplo: quando uma pessoa o trata mal, ou grita, ou se altera, se você tenta se manter na “realidade” daquele acontecimento, se separando daquele momento, e se colocando como um observador, (nao é facil!) você consegue não gritar, não se alterar, não agredir, e o que você percebe eh a pessoa desconcertada pelas suas próprias reações.
Gente, nao estou fazendo “vestibular para Santa”. Isso tudo e um treinamento diario! Um crescimento.

Um dia eu vinha de carro (já contei isso aqui, mas lembrei-me agora) e vi um velho descendo de um ônibus na esquina. Aqui, a coisa mais “rara” é ter ônibus... onde moro tem UM que faz o roteiro “cidade – e alguns bairros”, mas não eh como no Brasil, essa facilidade de um ônibus para cada lugar.
Vi que ele desceu e foi andando curvadinho, estava assim bem mal vestido, uma roupa batidinha. Vamos dizer assim: um mendigo brasileiro mais “tratado”... Eu passei por ele, e lá na frente virei o carro e pensei: “Vou perguntar se ele quer uma carona para algum lugar”. Dei a volta, parei o carro e perguntei onde ele ia. Ele disse que ia ao médico, que ficava a uns quarteirões dali. E eu abri a porta e disse: “Entra que eu levo o sr.”.. O homem entrou e fechou a porta, e de repente me deu um medo, mas fui em frente. A gente ouve tanta coisa... Bom, nem o cheiro do homem era agradável, e ele foi conversando dizendo que uma vez por mês ele ia nesse médico, e que o único ônibus que tinha era aquele, mas ele precisava andar muito. Então o levei ate o prédio. Ele desceu, agradeceu. Passou meu medo e eu fui embora com uma incrível sensação de alegria por ter ajudado alguém. Voces ja sentiram isso?

Isso são exemplos que aconteceram comigo, não estou querendo me engrandecer, e nem dizer que sou uma “grande alma”. Isso e um treinamento. E assim podemos procurar algo dentro de nos que nos torne melhores pessoas. Eu quero dizer que podemos fazer planos, assim como se fosse um “trabalho diário voluntário”, de fazer pequenos gestos que possam ajudar alguém e nos trazer felicidade, e alimentar nossa alma. E nos tornar menos egoistas.



Uma balinha, um café preferido, um fósforo na lareira, o jornal preferido... pensem bem, isso custa muito? Não custa não!
Tudo isso, transformando-se em alimento de alma.. um sorriso, um toque, um abraco, uma atenção, um ato misericordioso, um ato paciencioso.

As vezes olho para meu marido e vejo que sem ele perceber, ele exercita esse marketing. Ele tem uma paciência ilimitada com tudo e com todos. Em filas, em Supermercados, em Bancos. Na direção de seu carro. Na direção da nossa vida, na paciência comigo (que já é muita!).

Muitas vezes isso e uma coisa natural nas pessoas. Você já descobriu qual é o seu marketing em relação a vida?

O que precisamos é cada um de nós descobrir a nossa caixinha de fósforo. Para acender a lareira da nossa vida.



E para achá-la é preciso somente entender profundamente que o marketing da alma é feito pelo nosso coração.


Mary Fioratti

23 setembro 2008



PALAVRAS AO VENTO



Retiras tudo que me destes
mas retiras com maldade
com crueldade
como se eu tivesse feito algo
que o tivesse ferido muito
no entanto
meu coração semeou
nos cantos da tua existência
somente ternuras e sonhos
esperando pela colheita do amor



Pisas nos meus sentimentos
como se os teus
nunca tivessem existido,
retiras tudo que me deste
esmigalhas meus sonhos
pisas em minhas ilusões
queres apagar com uma borracha
o que foi gravado com sangue
dentro do coração



És tão frio e tão distante
e deixas no ar uma estranha sensação
de eu nunca ter realmente te conhecido
Jogaste tuas palavras ao vento
sementes inúteis
que germinam hoje a flor do silêncio...



retiras tudo que me deste
desnudas meu coração, deixa-o frio
sem nenhuma piedade...
penso agora... se és o mesmo
que um dia conheci
e de quem hoje sinto...tanta saudade

Mary Fioratti

06 setembro 2008



REMENDOS


Tantos remendos tenho
nesse meu velho coração
quantos pedaços costurados
com marcas profundas
que jamais serão cicatrizadas
Palavras que o cortaram
atitudes que o magoaram
jorrou o sangue da incompreensão
depois consertado aos poucos
com o magico remédio do tempo

Tantos remendos tenho
nesse meu velho coração
noites em claro a pensar em você
a imaginar seu sono
(ou sua insonia)
a desesperar-me com silêncios
e a cada batida dele
uma ferida aberta
que foi cobrindo-se de curativos
para meus mais verdadeiros sonhos

Tantos remendos tenho
nesse meu velho coração
de repente apoderou-se de mim
o cansaço eterno
de lutar por causas perdidas
Sua voz calou-se e a minha cala
vozes enterradas em lembranças
e mergulho no silencio do dia a dia
até que essa dor passe
e minha mão a transforme em poesia




®Mary Fioratti

05 setembro 2008



A LOUCURA DO AMOR




Dominados pela paixao
labios entreabertos
desejo nascendo na pele
aproxima-se seu rosto
e meu desejo instintivo
de provar seu gosto...

(eletriza-se o momento)

Labios que se encontram
sedentos e lascivos
respiracoes se confundem
as linguas adivinham o percurso
e imantam-se em camera lenta


Coracoes ao mesmo ritmo
incendeia-se o corpo
em fogo ardente
desejo consumindo as entranhas
maos que se movem
na leitura dos sentidos



Depois do amor
o silencio dos corpos
anuncia o verdadeiro encontro

.
.
.
.

(o das almas)




Mary Fioratti

27 agosto 2008


TEMPOS QUE NAO VOLTAM MAIS



Hoje com todas as tecnicas do internet podemos ver como ficariamos nos tempos antigos...















Algumas parecem fotos de minha mae nos tempos antigos.
Como era bonito esse tempo em que havia algo etereo na expressao. Um "que" de ingenuidade e beleza natural.

Estava pensando um dia desses que com a idade, tornei-me a cada dia uma pessoa mais natural.
Quando eu era mais jovem, ficava horas me aprontando para sair.
Hoje, aderi a simplicidade (como e bom ser simples!), nao uso maquiagem, e me apronto rapidamente para sair.

O que chamo isso? Seguranca. Atingi uma idade que me sinto bem comigo, do jeito que sou. Com minhas ruguinhas, com minha flacidez, e me enxergo como um todo.

E voce que veio aqui me visitar, deixe sua opiniao : qual dessas fotos antigas voce preferiu?


Mary Fioratti

PS: Ah como me perguntaram, essas foram as duas fotos que usei para fazer essas antigas. Sao fotos minhas de adolescencia.




20 agosto 2008



COLEÇÃO DE PENSAMENTOS




Fui morar em Ubatuba quando tinha 5 anos. Era uma cidade, naquele tempo, não muito explorada por turistas.
Ali crescemos de uma forma tão natural, pés no chão, idas a praia antes de escola, brincar de bambolê na praia, passear a noite pela calcada da Praia do Cruzeiro, onde nunca vi na minha vida, tantas estrelas.



Muitas vezes olhávamos para cima, e parecia que não havia um só espacinho para mais uma estrela.
Íamos minha mãe, meu pai, meu irmão e minha irmã, todos na calçada, olhando para o céu. Como sempre Ubatuba tinha problema com a eletricidade, íamos muitas vezes sem luz, apenas com a luz da lanterna do meu pai nos guiando. Alias, ele deu para cada um de nós uma lanterna (me lembro bem, a minha era vermelhinha).

Hoje sai para andar de bicicleta, o que simplesmente adoro, e me sinto de volta ao tempo de criança, quando eu andava na rua voando pelas ladeiras, meus cabelos ao vento, largando as mãos do guidão, ou abrindo as pernas como se fosse voar... que sensação de liberdade!
Parei então num lugar, dentro de uma rua, um tipo de uma "florestazinha"... tive que andar com a bicicleta, pois os caminhos eram de descida e subida. Senti um certo medo na hora, pois não havia ninguém naquele lugar, a não ser eu. Ao mesmo tempo, senti uma grande paz.

Esse lugar era exatamente igual o lugar que eu ia me esconder em Ubatuba, quando queria ficar sozinha (desde aquele tempo, preciso de um momento de solidão). Aquele lugar era maravilhoso! Tinha um riozinho que corria no meio de uma grande floresta fechada. Ali só havia eu e minha solidão. Arvores tão verdinhas, de copas largas, e eu me sentia muito protegida. Lembro que enfiava meus pés na água, e a água era tão cristalina que eu consegui enxergar perfeitamente meus pés. Parecia lugar de filme.
Ali eu falava alto sozinha.. (deveria ter meus 11 anos), e sentia uma liberdade deliciosa, própria dos adultos.
Nunca me esqueci desse lugar. Parecia algo próprio de sonho.

Hoje voltei no tempo, e fiquei a lembrar de mim... Estranho dizer, "lembrar de mim", não eh? Mas foi assim que eu me senti, com uma lembrança forte de um tempo que passou. E me vi criança.

Uma vez fiz essa poesia quando saí em um dos meus passeios de bicicleta:



P E D A L A N D O

As tardes suaves
quando o vento sopra devagar
e o sol já esta fraco
pego minha bicicleta
e é só começar a pedalar
que sentimentos antigos
nascem dentro de mim
moleca, cabelos meio avermelhados
uma franjinha marota
cheirando a shampoo de camomila
e lá eu ia subindo ruas altas
descendo ladeiras abrindo as pernas
e rindo da própria vida
a bicicleta não era minha
era emprestada
mas os sonhos, esses eram mesmo meus
pedalava, pedalava, depois subia as pernas
no guidão da bicicleta
soltava as duas mãos
e naquele momento, com aquele vento
e aquela liberdade escancarada
batia tão forte meu coração!
hoje quando pego minha bicicleta
e começo a pedalar
meus cabelos ao vento
dá-me aquela sensação de levar
meu pensamento
então pedalo, pedalo, e a calcada e longa
e eu vou indo, vou indo...
quero essa sensação de liberdade viva
quando contorno os buracos
subo as ladeiras...desço-as com velocidade
sensação de controle
é como se de repente eu estivesse controlando
minha vida, meu destino
como se não houvesse solidão, tristeza,
vazio, nem ao mesmo futuro
e sim somente aquele presente
naquele sol fraco tocando minha pele
no vento frio que eriça meus pelos
nos meus cabelos que voam
nos meus lábios que ressecam
Nesses momentos
eu penso que eu queria que a vida fosse assim
pedalando, pedalando, pedalando....
zunindo nas calcadas juntando as esperanças
fechando os olhos e vendo meu cabelo brilhando ao sol
com cheiro de camomila





Ah! que saudade dos meus cabelos vermelhos (hoje, depois de tantas tinturas e tantos brancos... nem sei mais que cor ele era), que saudade daquele cheiro de camomila quando eu voava na bicicleta e podia sentir o vento trazendo ao meu nariz. Eu aspirava aquela camomila, e expirava toda minha juventude.


Estou lendo um livro chamado "Gift of Years", de uma autora espiritualista chamada
Joan Chittister. Estou ainda no meio dele, mas encantada com tantas coisas bonitas que já li.
Uma coisa interessante que ela diz: Muitas pessoas falam que temos "uma vida para viver"... e ela discorda, dizendo que nós já vivemos nessa mesma vida, muitos pedaços de vida... a infância, a adolescência, a idade madura, e a velhice. E que temos o costume de começar com as culpas.
"Se eu tivesse feito assim"... "Se eu tivesse ido morar naquele lugar" "Se eu não tivesse casado"...
Que deveríamos viver cada pedaço da nossa vida e encerrá-lo. E começar um novo capitulo sem culpas de nada que já fizemos.
E nessa idade mais madura, começar a viver uma nova vida e apreciar tudo aquilo que gostamos, fazer coisas que sempre pensamos em fazer e que sempre postergamos.

Bonito pensar que devemos repartir nossa vida em pedaços. E como cada uma fosse única, e independente da outra. Como se fossemos pessoas diferentes, apenas aproveitando as lições que aprendemos, mas esquecendo o que "achamos" que erramos.

Pensar nos erros, da angustia. E nos leva a absolutamente nada. A lugar nenhum. E somente gasta nossas energias...

Hoje estava pensando por que agora mais velha, eu fico a sentir sensações da infância. E pensei que as pessoas mais velhas começam a resgatar aquela pureza, aquele "olhar de primeira vez" em tudo que vê. Como se estivesse conhecendo o mundo justamente agora.

Acho que amanha vou sair, e comprar um shampoo de camomila.






Mary Fioratti

19 agosto 2008



RITUAL DO AMOR



Antes do amor
meu corpo é um ritual
prepara-se com o pensamento
tremula-se com o sentimento
faz-se macio
derrama-se de ternura
fêmea no cio

Antes do amor
meus olhos tem um brilho
de fogo e desejo
ardem quando o procuram
transformam-se em mistério
quando no escuro do quarto
encontram os seus

Antes do amor
minha boca se perfuma
move-se sensual
os gestos são lentos
ao sabor do ventos
pura mulher fatal

Antes do amor
que perdure a expectativa
entre caricias intermináveis
que os olhos se enfoquem
repetidas vezes
muito antes que os corpos
se toquem

Antes do amor
que você leia em voz alta
toda a cartilha dos meus sonhos
que declame para mim
todos os versos com calma
de todas as rimas
de sua alma

Antes dos corpos se unirem
dedilhe dos pés a cabeça
todas minhas cordas musicais
e depois desse ritual
de amor puro
deixe ecoar a musica
das nossas almas
e possua-me afinal!


®Mary Fioratti


17 agosto 2008



QUERO SEMPRE DEIXAR UM SORRISO
POR ONDE EU PASSAR




A vida é feita de tantos momentos difíceis. Muitas vezes pensamos por que estamos passando por uma situação nada fácil. Ou mesmo questionando se "merecemos" ou não.
Doenças, situações imprevisíveis, ou no emprego, ou em casa, ou na rua. Situações
com pessoas que nos apunhalaram, com filhos que se mostram não agradecidos, com
amigos que pensávamos ser amigos...

O que é essa vida a não ser um Grande Aprendizado?

Muitas vezes repetimos "eu não mereço isso"... Com certeza merecemos. Deus coloca
situações em nossas mãos para aprendermos a lidar com elas. Muitas vezes são difíceis, e parecem "quase impossíveis", mas vamos contornando até que conseguimos superar.

Existe melhor sensação no mundo do que superar um problema? Sentir que crescemos e aprendemos? Nos sentimos superiores e capazes.

Quando adolescente sempre fui uma menina com muitos medos. E meus medos eram tão grandes, que me dominavam de uma forma absoluta!
Um medo que sempre tive desde criança: me perder de minha mãe. Se eu estava na rua com ela, e por um instante não a via, entrava em pânico. E esse pânico foi me acompanhando na vida, em relação ao meu marido ou minha filha.
Ou... se alguém atrasa e não chega na hora que previu, começava a sentir aquela angustia dentro de mim como se tivesse acontecido alguma coisa horrivel.

Como essas coisas são construídas dentro de nós? Simples fatos que nos deixam completamente fora de nosso equilíbrio?

A idade ensina pacientemente a passarmos em cima de nossos traumas. De coisas que trouxemos dentro de nos em nossa infância. Não acredito que seja culpa de nossos pais, ou de amigos, ou de pessoas. Mas nossa própria culpa, nosso modo de ser, o envolvimento que temos com os outros, e a briga com nossos "fantasmas"...
Cada um nasce de um jeito.

Muitas vezes pensamos não sermos capazes de suportar uma dor. E quando vemos, aprendemos a lidar com ela, e a superamos.

Você sabe resolver essa equação? 1/3 + 3/4 + 4/6 = ?

Precisamos então achar o denominador comum, saber das regras para a soma, divisão, e multiplicação para achar a fração final.

Assim é nossa vida. No nosso dia a dia passamos por tantas lições de crescimento. Num Supermercado, ou na sala de espera de um médico, cruzando com alguém no transito, passando por um vizinho, ou uma criança.
Deus esta passeando por ai, e colocando em frente de nos essas equações para resolvermos, como se fossem provas de escola...

Vocês ainda se lembram da satisfação de resolver um problema de matemática? Chegar a uma conclusão que batia direitinho com a resposta do professor?
Ou da felicidade de ter ido bem numa prova?

Assim nos sentimos nas "equações da vida"... E o "denominador comum" tem que ser o bom senso. Para que querer ganhar sempre? Por que não aceitar a perda, e aprender com ela?

Muitas vezes o ganhar não nos traz tanta satisfação como o perder. Porque através das perdas, chegamos no fundo de nos mesmos. Sentimo-nos arrasados, tristes, mas de repente vamos emergindo desse fundo, entendendo uma serie de coisas que não entendíamos.
A satisfacao pode nao ser momentanea, mas chega com o tempo.
Depois da situação de crise, sempre vem aquele esclarecimento, e entendemos tudo tão bem como se estivesse escrito em nossa frente.

Essas coisas que muitas vezes achamos que "não merecemos", na verdade o merecimento é que nos faz encontra-las. Para crescermos espiritualmente.

Quando Deus tira dos nossos caminhos coisas que para nos são imprescindíveis, Ele está nos mostrando que precisamos trabalhar e entender o que e realmente prescindível.

Sei que com tudo isso pareço uma conformista. Mas não sou não. Sempre estou procurando entender todas as mensagens que Deus nos manda. Ler através dos fatos.
E muitas vezes tambem me revolto. Mas acabo aprendendo.

Já me perguntaram antes: "Você e assim sempre feliz?" Não, não sou sempre feliz não.
Procuro passar para as pessoas o melhor de mim, e de tudo que eu vejo. Mas tenho sim meus dias tristes, pensativos. Tenho minhas decepções e ainda minhas inseguranças.
E tento trabalhar nelas com muito afinco.

E importante o "modo" que você lida com elas.

E principalmente aprendi uma coisa que para mim é meu lema de vida:

"Deixe um sinal de alegria por onde passes" (Chico Xavier)

Assim sou e tento deixar sempre um sorriso.
(Alias, voces ja me viram em alguma foto séria? - Risos!)

Deixo aqui no final essa musica linda do Milton Nascimento, "CAÇADOR DE MIM"...

Assistam. A letra tem tudo a ver comigo!




Mary Fioratti




09 agosto 2008


PENSANDO EM VOCÊ MEU PAI





Essa foto é do meu pai, quando era um bebezinho... Engracado que nunca pensamos no pai da gente ter sido um bebe, não é verdade?
Olho para essa foto e me dá uma grande ternura, pois eu visualizo meu pai crescido, e aquele pai que eu conheci adulto.
Suas mãozinhas que estao em suas pernas... lembro ate hoje como eram , alias, muito parecidas com as minhas. Olho minhas mãos, e sempre enxergo as mãos de meu pai (e em tantas outras coisas...).

Essa foto foi tirada há mais de 90 anos (incrivel, nao é?).

Lembro de meu pai todos os dias, em pequenas coisas na minha rotina. Quando estou cozinhando lembro sempre dele em sua arte em cortar a cebola, preparar uma salada especial de ultima hora, aquela sopa de verduras deliciosa no tempo do frio... o lagarto recheado com ovo e linguiça.
Nossos almocos em casa eram ao meio dia. E meu pai nao abria mão desse horario, queria todos na mesa.


SEMPRE ALEGRE E ENERGETICO



COM MEU QUERIDO TIO LUIZ EM UM NATAL



COM SEUS NETOS



SUAS BRINCADEIRAS



A alegria de meu pai era sempre contagiante. Parecia uma pessoa que nada o fazia desistir da vida, nem pensar nada de uma forma negativa. Estava sempre com a energia lá em cima. Era uma pessoa que nao se dobrava aos problemas da vida. Via tudo com otimismo, com coragem, com muita fé .

Tenho até hoje na memoria o seu assobio quando chegava em casa. Ficou a sua marca registrada no tempo em tantos momentos e tantos sons.

Sempre admirei sua letra bonita, parecia bordada... e ele gostava de me chamar de Russa (quando pequena eu tinha cabelo vermelho e sardas).
Esse é um "PS" que ele colocou na carta da minha mãe quando escreviam para mim aqui nos EUA.



Lembrancas que tenho marcantes:

- Voce foi quem me levou no Banco para ter meu primeiro talão de cheques.
- Carregou-me para o Hospital nas minhas crises de bronquite
- Deu-me dois dicionarios de Ingles do Michaellis quando entrei na Ericsson
como Secretaria-Bilingue
- Ensinou-nos a ser corretos, honestos, e a gostar do trabalho

Essa foi a ultima vez que o vi em 2002:




Foi minha irma quem cuidou de meu pai até o fim de sua vida.
Deixo para finalizar uma poesia que ela fez que retrata tao bem o AMOR que sentimos pelos pais quando ficam velhos, atraves do entendimento e aceitação.



UM REENCONTRO


Hoje, quando vi teu rosto
chamando-me, ao amanhecer,
entendi porque a Misteriosa Vida
colocou-nos lado a lado...
Parece não existir poesia
em nosso cotidiano
feito de tantas lutas,
de problemas corriqueiros,
mas quero dizer que te amo muito
mesmo que a dor da incompreensão
às vezes dilacere nossa alma...
Quero dizer que em teus lentos,
silenciosos passos,
em tuas palavras breves,objetivas
em teu mundo fechado
quase sempre tão difícil de entrar,
vou encontrando aos poucos,
minhas lembranças, meu presente,
minhas respostas..
Quero dizer que dia-após-dia
reconheço-me em teus traços,
e enxergo-me através de ti...
Quero dizer que amo a vida que me destes
e este sangue, correndo em minhas veias
e também, todos os pensamentos
que até hoje a mim dedicastes
e a tua presença em minha vida
que é sempre força,
mesmo invertendo-se os papéis.

Se hoje és criança,
aprendo contigo a paciência,
se hoje, dependes de ajuda,
aprendo contigo a proteger
se és hoje mais confuso e triste,
busco em mim alguma razão
para fazer-te alegre...

E mesmo errando tantas vezes
repetimos,juntos, dia-a-dia,
a lição do reencontro...

Envio-te um beijo, meu pai.


Maria Lúcia




Sua imagem e muito forte em nós, Pai!

Assistam esse video, uma linda homenagem aos PAIS!




Deus te abencoe Meu Pai!


Beijos saudosos


Maria Inês (Russa)






05 agosto 2008




NAS ONDAS DO SEU AMOR



Fecho os olhos
tão aguçados no sentir
e escuto seus passos
Sem virar meu corpo
aspiro o cheiro de sua pele
Pressinto-o!
Sei de cór
o caminho de seus passos
que vem tao pedintes
do meu abraço
Dessa sua boca entreaberta
que mostra a lingua faminta
de suas mãos aflitas
que entram em minhas roupas
e acendem desejos
Sei de cór
o rolar de seu corpo
no meu corpo
seu olhar esgazeado
nosso delirio
E sei daquela dormência
de calma e êxtase
depois do amor
Ah! eu sei de cór
tantas coisas que nao falo
e meu corpo arrepia
e traduz-se em sinais

Sei de cór
quando estamos a sós
e esse mar de sentimentos
entre nós...

(quero afogar-me em seus braços
e morrer nas ondas de seu amor)

Leva-me!


Mary Fioratti