
Conversando com uma amiga que esteve no Brasil por algumas semanas, comecamos a trocar sentimentos.
E uma coisa que ela disse me marcou muito. Porque conseguiu definir algo que sempre senti e nao conseguia explicar.
Quando moramos em um País diferente, toda vez que nos deslocamos dele, parece que uma raiz é arrancada de dentro de nós.
Algo tão dificil de explicar, mas tão facil de sentir!
Quando saimos daqui e chegamos no Brasil, no começo tudo é estranho. Uma sensação tão diferente!
E quando alguns dias passam, mergulhamos no dia a dia, no amor de nossos familiares, nos encontros, nos abraços. Nas ruas cheias de gente, aquela vibração que somente podemos explicar aqui, dentro de nosso coração.
É uma tremenda identificação, algo que se faz de um modo como se entrasse na nossa pele.
Quando entro nos onibus e fico a observar as pessoas, é como se um filme se passasse pela minha cabeca, um filme antigo que se repete: o AMOR que tenho pelo meu povo, pelo meu País, a certeza de que pertenço a esse lugar.
Acordo de manhã com o barulho dos carros, dos passos de pessoas na calçada, com o latir dos cachorros nas casas. Isso tudo para mim pulsa de uma forma absoluta!
E quando o tempo vai passando, começa um sentimento dentro da gente que incomoda. E nao sabemos definí-lo. Parece um vazio, um buraco. E então percebemos que nos falta o mundo daqui.
E ai esta a fotografia do que sentimos:
Um coração dividido, com estradas diferentes. Uma que vai para o Sul... outra, para o Norte.
Estradas que jamais se encontrarão.
Um quebra-cabeça que sempre faltará uma peça.
Um vazio que jamais sera preenchido.
Duas identidades.
Dois coraçoes unidos por tao antagônicos sentimentos. E no fundo: sentimentos tão iguais...
®Mary Fioratti





































