
QUE AS MÃOS SE CALEM
que as mãos se calem
não procurando nas teclas
traduzir a dor
não façam cobranças
ou aluguem suas esperanças
para outro sofredor
que as mãos se calem
não insistindo nas mesmas teclas
teclas mudas
defeituosas e gastas
que não são nada mais
ou nada menos
do que a própria existência
que o coração sempre comande
apesar de tudo
mas que as mãos se calem
a procura de palavras
que batem em paredes
num eco mudo
que as mãos se enrijeçam
e nunca mais procurem
no enlevo da dor
mostrar tanto desespero
num soneto de amor
Mary Fioratti
