03 fevereiro 2008



(cliquem na foto e me vejam "quase" pessoalmente - risos)


NO AMOR O TEMPO NAO PASSA




Faz uma semana atrás tive uma surpresa feliz: encontrar um pouco do meu passado.
Nos anos 70, trabalhei na Johnson & Johnson no Planejamento de Produçao. E la encontrei uma turminha simplesmente maravilhosa!
Na epoca, eu era secretaria do Gerente do Departamento, e esse pessoal (encontramos 10 agora) foi uma epoca maravilhosa da nossas vidas.
Gerente Hector, Pessoal: Rinaldo, Zito, Nucélio, Alencar, Gilmar, Mário, Etel,João Bernardo, Ramon.
A responsavel pelo encontro de todos foi a Etel. Ela encontrou um deles por acaso, e a partir desse encontro, aconteceu uma verdadeira revoluçao! Uma enxurrada de emails, o que gerou um Grupo no Yahoo que foi aberto pelo Rinaldo.
Tao lindo ver as fotos dos filhos (que vimos pequenos, outros nem vimos!), todos bonitos, formados, realizados. Todos casados e felizes.
Sentimos uma emoçao tao grande! E os emails eram relembrando fatos, aqui e ali, e rindo muito.

Alguns dos fatos lembrados:
1)Emendavam os clips da caixinha da gente. Quando tiravamos um, vinha aquele cordao!
2)Punham esparadrapo no pino do meu telefone. Eu atendia, e o telefone ainda tocava.
3)Embrulhavam a ponta dos nossos lapis com durex...
4)Punham sal de fruta no lugar do açucar (no lado do cafe)...
5)Faziam levitacao no banheiro imitando o Uri Gueller (risos).

E muitas, muitas outras que eles aprontavam.
E no meio disso tudo, saia um excelente trabalho, Gerenciado pelo Hector. Uma familia feliz, unida, com sentimentos muito verdadeiros.
Muito nos foi ensinado por nosso querido chefe, que hoje, compartilha dos emails junto com a gente, e se sente tao feliz como nos sentimos!

Foram anos de alegria, de amizade, carinho, amor, entendimento. Um tempo maravilhoso, que agora reencontramos. Cada um com sua familia, com sua vida, mandando fotografias de filhos e ate de netos!

Vou ainda publicar uma montagem de fotos de todos eles. Hoje eu apenas gostaria de deixar aqui uma poesia que fiz com o sentimento desse encontro.



REENCONTRO



Como é bom o reencontro
tem gosto de chuva



cheiro de terra



Surge atraves do tempo
as essencias inesqueciveis



risos, abracos, conversas
que foram desenhados no passado



mas se projetaram no presente
formando um edificio de amor


tudo pode nos ser tirado nessa vida
mas as lembranças
essas ficam para sempre


em um retrato num canto da sala
ou um quadro na parede
uma musica cantada


um som perdido no espaco
uma alegria ou dor compartilhada
no reencontro
as almas se abraçam


como nunca tivessem se separado
o amor floresce



e sentimentos como esses
sao simplesmente inexplicáveis




Meus amigos, recebam essa poesia como um sumo de mim. De minhas emocoes e de meus sentimentos. E que nosso amigos, Luiz Tadeu e Luiz Gonzaga possam le-la, aonde estao!

Aguardo o encontro, que com certeza acontecerá quando eu for ao Brasil este ano (mesmo voce nao querendo, Mário - risos). E quero abraçar cada um de voces!

®Mary Fioratti (Maria Inês)

E PARA VOCES UMA MUSICA DAQUELE TEMPO: "CHERRY RED" COM BEE GEES

29 janeiro 2008



Minha Querida Vovó Aracy


Lembro-me bem de seu rosto. Uma pele alva, aquele sorriso tão meigo.
Minha avó era bem alta, mas era frágil e feminina. Lembro dela velhinha com sua cabecinha branca, e uma coisa
que se fechar os olhos eu sinto, é a maciez de sua mão. Mãos compridas, finas, com pele de criança.
Sempre eu pintava suas unhas com um esmalte chamado “Rosa-Rei”. Sentava, ajoelhada, tomando suas mãos entre as minhas e ela ficava conversando e contando histórias.
Ela era altiva, embora tivesse uma meiguice não só em seu olhar, como em seu rosto.

Ela me dava conselhos de “não andar atrás dos rapazes”, de “ser bem difícil, porque era assim que eles gostavam”.

Olhava para mim dizendo que quando ela assistia aquele seriado da “Freirinha Voadora” sempre lembrava
de mim (dizia que eu era a cara da Sally Field).


O que eu gostava na vovó é que ela estava contando um caso e de repente comecava a rir que não parava mais,
e tinha uma risada gostosa mas bem baixinha.

Era muito alta, mas movia-se com a graça e feminilidade. Era delicada nos gestos.
Sempre muito cheirosa, adorava talcos, perfumes. Lembro que quando a visitava em Marília, eu entrava em seu quarto e ela dizia: “Abre aquela gaveta ali da minha cômoda, que eu comprei uns perfumes para você”.
Mesmo depois de casada, eu tirava uma semana de férias para visita-la em Marília. Passava o tempo todo com ela na cama (ela tinha depressão, e ficava sempre deitada) e ficavamos conversando. Eu a fazia rir muito.
Ficava perguntando muitas coisas do passado, e ela sempre me comparava com uma amiga que ela teve em Caçapava , que fazia mil perguntas, que tinha o apelido de “Doca”. Toda vez que eu deitava com ela, ela ria e dizia: “Deita aí, Doca”. E ria muito. Quando ela ria, praticamente movia o corpo, mas a sua risada era delicada e baixinha.

Eu ficava alisando seus cabelos branquinhos, segurando na sua mão. Adorava beijar seu rostinho tão macio e cheiroso.




Quando meu avô morreu em 1979, em 1980 fui passar uma semana com ela. Ela dormia no quarto com uma enfermeira.
E esta vez que eu fui, como meu avô já havia morrido, dormi com ela na cama de casal. A noite ouvia ela falando baixinho.
E eu perguntava: “Vó, com quem você está falando?” e ela dizia: “Com o Juquita, ele está perguntando se eu tomei meu remédio”.

Eu morria de medo, pois sempre tive medo desta parte de “espíritos” (risos).
Então eu ouvi um barulho na janela, como se alguém estivesse trancando, e ela disse: “Não se preocupe filha, é seu avô que está checando se tudo está fechado”.
(E era mesmo o que ele fazia todas as noites...).
"O que vó, meu avôôôô? Ele morreu, Vó” E eu ficava apavorada embaixo das cobertas.

Os dois tinham uma ligação muito grande, tendo vivido juntos por 57 anos.
Misturando aqui um pouco minha avó com meu avô…. Ela tinha depressão, e meu avô, de manhã, sentava com ela no sofá, de mãos dadas, e lia o jornal “Diário Popular” (o jornal do Sangue). Então ele começava: “Matou a mãe com duas facadas!”. E ela: “Ah Juquita, não me lê essas coisas!” E ele: “É para distrair você meu Anjinho”.
Que distração, heim?

Anjinho para lá e para cá…. E assim iam os dois …

Uma coisa que sempre me comovia… Meu avô tomava Nescafé todos os dias depois do almoço. Era comum ele dizer: “Agora quero meu nesquinha”. ( a Nestlé vai ter que me pagar por essa propaganda!).
Então estávamos todos na mesa conversando, e meu avô fazia o “nesquinha” dele. Aí minha avó o seguia com o olhar e dizia baixinho para a gente: “Quer ver, ele sempre deixa o finzinho para mim!”. Lembro da minha angústia olhando meu avô com aquele medão dele esquecer dela. Mas era tão engraçado, ele tomava e automaticamente, mesmo conversando, parava no finzinho e dava a xícara para ela.

E ela olhava para a gente com aquele olhar orgulhoso dizendo: “Viu, não falei?” E eu respirava aliviada, porque ele dar a ela o finzinho do nesquinha era uma verdadeira prova de amor para a minha avó!
Havia pedido a minha irmã que escrevesse as lembranças que tinha da vovó, e engraçado que muitas bateram com as que escrevi em cima:

1) Eles se conheceram quando ela fazia Escola Normal, e ela sempre teve muito orgulho em dizer que ele deu muito em cima dela!
2) Teve seis filhos, por isso largou sua profissão, e uma coisa importante que minha irmã lembrou foi que ela alfabetizou todos nós.
3) Sempre protegia as filhas, porque o vovô era muito bravo, (isso me lembrou quando meu pai foi pedir minha mãe em casamento. Entrou na casa do meu avô, e ele de pijamas assistindo jogo, não deixou meu pai abrir a boca, e ele saiu sem conseguir falar nada – risos).
4) Minha irmã tem também a mesma lembrança que eu tenho, aquelas mãos macias e fininhas da vovó…
5) Ela lembrou de uma coisa que eu adorava: quando nós deitávamos na cama de casal em volta dela, ouvindo histórias, como se estivéssemos redescobrindo nossa identidade.
6) Minha irmã define seu porte como aristocrático (e era mesmo!).
7) Tinha olhos grandes e expressivos e um olhar sonhador de quem pairava meio acima das coisas.
8) Minha irmã também se lembra do perfume natural dela… e dos talquinhos que davam a ela aquele cheirinho especial.
Tanto eu como minha irmã pensamos que a vovó foi um símbolo de “mãezona, desistindo de sua profissão, para tomar conta de seus filhos, sempre ouvindo, entendendo e estando presente na vida dos filhos.
Muitas vezes em meio à dor, ela também ria e se esquecia um pouco de tudo, para lembrar-se de histórias engraçadas, com humor inteligente que muitas vezes nos fazia refletir.
E uma coisa que minha irmã disse e eu sempre senti…” deitar-se um pouco na sua grande cama de casal fazia muitas vezes a gente se sentir repousado e tranquilo sem medo do mundo…”

Uma lembrança que tenho da minha avó: tínhamos um cachorrinho quando morávamos em S. José chamado “Toquinho”. Um dia, eu tinha uns 13 anos, estava sentada no degrau da porta da cozinha com ele no colo, e ela me ouviu dizendo para ele: “Toquinho, voce não é cachorro, você é gente!” Ela se encantou com aquela frase.
Sempre me dizia assim: “Filha, repete aquilo que você disse do Toquinho”. E eu tinha que repetir a toda hora. E ela contava para todo mundo.

Tinha uma música que eu cantava, que me lembro um pedacinho… que ela pedia para eu cantar para ela quando ela estava deitada. . Chamava-se ÍNDIA” e vou transcrevê-la aqui:

ÍNDIA

Índia seus cabelos nos ombros caídos
Negros como a noite que não tem luar
Seus lábios de rosa para mim sorrindo
E a doce meiguice desse seu olhar
Índia da pele morena
Sua boca pequena eu quero beijar
Índia sangue tupy, tens o cheiro da flor
Vem que eu quero lhe dar, todo o meu grande amor
Quando eu for embora para bem distante
E chegar a hora de dizer adeus
Fica nos meus braços só mais um instante
Deixa os meus lábios se unirem aos teus
Índia levarei saudade da felicidade que você me deu
Índia a sua imagem sempre comigo vai
Dentro do meu coração
Flor do meu Paraguai



Lembro que quando eu cantava, ela ficava olhando para o teto com um olhar sonhador… e aí dizia de novo
baixinho: “Canta de novo, Inês?” (ela me chamava assim).
O que será que essa música a fazia lembrar ou sonhar?
Ah vozinha querida, você foi o protótipo da avó: doce, meiga, cheirosa, gostosa, como minha irmã bem lembrou, sentada naquela cadeira de balanço, naquele vai-e-vem, sempre com aquele sorriso terno e aqueles braços
sempre abertos para nós.
Que Deus a proteja sempre vozinha querida, e saiba que tenho lindas lembranças suas e a amo muito.


Mary Fioratti

21 janeiro 2008




Quando chegamos em Detroit em Outubro de 1990, tivemos o primeiro feriado, que foi o de Thanksgiving (Ação de Graças) no final de Novembro. Fomos então convidados para um jantar na casa de um Diretor da Valenite (onde o Roque trabalhava). Lembro que estava bastante frio, a Patti tinha um aninho e estávamos somente há um mês nos Estados Unidos.

O Diretor chamava-se John Henson, e morava em uma casa tipo rancho, que ficava um pouco longe da cidade.Uma das coisas meio chatas na adaptação a um outro país, é como se vestir nessas ocasiões. Eles têm uma linguagem própria deles, como "casual", mas esse "casual" pode às vezes ser mais sofisticado. Não me preocupei com roupa e me fantasiei de Mary. Lembro que vesti jeans, uma camisa, um casaquinho e mocassins. Lembro que estava frio, e nevava um pouco.

Lá chegamos e olhei as janelas por dentro todas iluminadas, com aquele "ar" de festa.Fomos muito bem recebidos pelo John, e tiramos os sapatos o que é o costume aqui, principalmente em tempo de inverno. Entramos naquela sala muito acolhedora, a lareira acesa, uma mesa cheia de salgadinhos, almofadas para todos os lados, e eu já fui sentando no carpete (risos). É assim que me sinto bem, quando consigo ser eu mesma. Assim como em casa, estamos sempre sentados no chão.

Havia também um Diretor de Recursos Humanos da Alemanha, simpaticíssimo! Quando encontramos pessoas assim, não importa nem a comunicação falada. Digo isso porque eu era iniciante tanto na cultura, como no falar. Mas era algo mesmo de alma. A conversação fluía tão fácil, e era como se os corações estivessem falando.

Havia uma parte mais elevada da sala, onde havia uma lareira. Em uma cadeira de balanço na frente da lareira, estava sentado o pai do John (dono da casa), com um copo na mão. Ele balançava naquela cadeira, olhando de longe a nossa reunião, com um olhar meio perdido, aquele tipo de olhar que os velhos têm, que parecem estar imersos em seu próprio mundo.

Começamos a tomar vinho, comer queijinhos diversos, pãezinhos, e a uma certa altura, como eu sempre faço nos lugares que vou, desliguei-me do tempo e me detive na beleza do cenário. Olhei aquele velho sentado em frente da lareira, olhei para a janela e vi a neve lá fora, (e tanto calor ali dentro...calor da lareira, calor humano), a música suave tocando no fundo... e de repente me senti fazendo parte de um filme americano. Não sei se algumas vezes vocês já se sentiram assim. Como se não fosse "vida real", como se eu estivesse apenas participando de um momento. Desliguei-me do cenário e parecia apenas uma expectadora.

Depois de conversarmos bastante, fomos levados para uma sala de jantar muito bonita, onde foi servido lasanha, peru, uma bela salada, com pão de alho. Foi um jantar nada convencional para um Thanksgiving, que normalmente é servido peru, batata doce assada, milho, purê de batatas com gravy (que é o molhinho que eles colocam em cima do peru).

Todos conversavam ao mesmo tempo, rindo alto, passando o pão e o vinho. A simpatia dos donos da casa era invejável. Lembro que a esposa do John, muito agradável, tinha uma risada que me lembrava o barulho de copos de cristal, é apenas uma analogia que às vezes fazemos. Essas coisas que a gente ouve e relaciona com algo sem saber o porquê. Depois do jantar, fomos para a sala onde foi servida uma torta de sobremesa, com sorvete e uvas.

Olhei para a sala, a lareira, e ainda balançando na cadeira, o velho segurava o seu copo, ouvindo aquela música que ecoava no ambiente, e olhando de longe, ele fazia parte daquele momento como algo histórico. Algo que eu senti que jamais esqueceria. Lembrava-me velhos filmes que eu havia assistido antes.

A Patti brincava no carpete, e a esposa do John trouxe um bichinho de pelúcia (um leãozinho) que era do filho dela quando era pequeno (e que por coincidência o filho tinha sido também adotado). Até hoje guardo aquele leãozinho, e toda vez que olho para ele, me vem essas lembranças. Nunca mais esquecerei este jantar. Foi um marco na nossa chegada nos Estados Unidos. Aquela sensação de aconchego, de carinho.

Não sei se eles ainda moram na mesma casa, mas muitas vezes penso em procurá-los, ou saber o endereço para escrever uma cartinha dizendo como foi importante para nós aquele dia. Com certeza nunca passou pela cabeça deles o impacto tão positivo que teve esse jantar em nossa chegada nos Estados Unidos.

Mary Fioratti

17 janeiro 2008







A SUA AUSENCIA


A sua ausência fica
como um copo de vinho vazio
sobre a mesa
como um pedaço de pão seco
difícil de ser engolido
parado na garganta
E desenha-se vagarosa
na chuva hoje que cai

Intermitente

´´´´´´´´´´
´´´´´´´´´´
´´´´´´´´´´

Nesse silêncio que entre nos
se agiganta
que incomoda
na falta do querer
do tentar
no engasgo do sentir
na mão que se estende
e fica no ar...
a chuva continua
a cair





A sua ausência
É um ritmo mudo sem canção
um suspirar calado
um soluço do coração








®Mary Fioratti

14 janeiro 2008



Toda vez que voce tiver duvida se esta agindo certo, focalize seu coração. Mesmo com a pitada de razão, tantas vezes necessária, o coração é a bussola mais certa para guiá-lo em todas suas decisoes.
Amor, alem de natural e espontaneo, é tambem um aprendizado. Um treinamento. A parte mais dificil nao é amar nossos amigos. Mas aceitar as pessoas que nao gostamos e tentar entende-las. Este é o maior desafio.
Tudo nessa vida passa. Mas o amor deve sempre ser cultivado. Ele é a mola do mundo. Quando colocamos amor em tudo que fazemos, a vida se torna tao simples é tao mais fácil.
E nessa jornada os amigos que nos acompanham tornam-se ferramentas imprescindiveis para que se abrandem nossos sofrimentos.



AMOR...PRESENTE CONTINUO


a vida é feita de momentos
de felicidades passageiras
e se tudo juntarmos
teremos fragmentos valiosos
e lembranças inesqueciveis
notamos que quase tudo nessa vida
é reciclável
certos momentos
alguns acontecimentos
a raiva
a frustração
o hoje, já quase faz parte
do amanhã
o ontem, já é um passado
muito longínquo
o amanha não chegou
mas quando chegar
já será o hoje
e em 24 horas
ele ficará na lembrança
assim é a vida
tudo se recicla
tudo passa
mas ha algo valioso
que não ha tempo que o recicle
são as amizades
os sentimentos verdadeiros
de ternura
são os gestos espontaneos
vindos do coracão
é o amor na sua inteira
plenitude
o amor não é passado
não é futuro
a vida passa
e com ela a importancia
de certos momentos
mas o amor ...
ele será sempre conjugado
em "presente continuo"

(eterno sentimento)




®Mary Fioratti

08 janeiro 2008






SEUS OLHARES




Quero hoje
com firma reconhecida
carimbo azul
assinatura com caneta tinteiro
o certificado
de que de hoje em diante
terei todos os seus olhares
somente para mim
posso dar-lhe a liberdade
de andar em todas as estradas
e ver todas as paisagens
de pisar no chão
de correr dentro pelas montanhas
de rir solto
olhar para o céu, beber água da chuva
mas os seus olhares
aqueles de desejo, de ternura
que marcam a minha pele
com suas iniciais
quero-os todos para mim
assine agora
o passaporte da sua liberdade
mas liberdade...condicional
porque olhares apaixonados
deitados na musica
gravados em lençóis de cetim
esses seus olhares
eu os quero todos
só para mim

®Mary Fioratti

28 dezembro 2007



PARA SE PENSAR NO ANO NOVO




Um novo ano chega, e tantos pensamentos, planos, surpresas, parece que ficamos com a boca aberta, meio incrédulos, nao acreditando que um ano ja se foi... Voa... e quando nos damos conta, ficaram tantos projetos para tras, tantas coisas que planejamos e acabamos nao fazendo.

Hoje, mais uma vez, eu quero falar dos velhos. Quando comecei esse projeto, meu marido me disse: "Mary, por que voce nao faz um trabalho comunitário com crianças? Eu a conheço, voce vai se envolver demais e se deprimir". Mas pensei que não, que gostaria mesmo de trabalhar com velhos. Criança e uma renovacão. Eles por si só se fazem felizes, pela própria natureza de ser. Eles ainda tem um mundo pela frente. Tem o "acreditar". Nao precisam viver de lembranças, mas vivem de projetos.

Os velhos ali estão, parece que estancados no leito da vida. Tem limitacoes no andar, no falar, no se mover. Alguns lutando com sequelas de derrame, outros, sem poder andar, alguns fora do mundo...

Quando entro naquele lugar e engraçado o que imediatamente sinto! Uma energia, uma forca, uma vontade de estender minha mao, de tocar pessoas. Mas o mais engraçado e que tudo isso parece que vem em dobro para mim de felicidade. Como explicar? Parece que estou fazendo algo para mim, e nao para os outros. E uma satisfacão plena.

Quando entrei hoje, fui visitar aquela senhora que contei no outro post, que o marido morreu de derrame. Quando ela me ve, ela já sorri. Ela disse hoje para mim que não quer dormir durante o dia, pois perde o sono a noite. Disse que estava com o corpo doendo. Sentei na cama, e fiquei a conversar. Ela falou das suas dores fisicas. Das suas limitacoes. Contou novamente como encontrou seu marido. Reviveu tudo... depois disse: "Nossa, acho que eu ja lhe contei!". Eu disse: "Contou sim, mas alguns pedacos eu nao conhecia". Entao ela continuou contando. Percebi como era importante para ela contar. Falar. Relembrar. Parece assim um balsamo para uma ferida. A lembranca. A certeza de que ela teve alguem que ela amou. Hoje ela me disse que o marido era um otimo cozinheiro. E que era muito bom para consertar coisas na casa, tinha uma "mão boa" (como dizem no Brasil).
Apontou uma foto que ela tem ao lado da cama e disse: "Eu gosto dessa foto porque ela e a ultima que tiramos juntos.



Falou que ela se sentia as vezes deprimida em pensar nele. E eu ensinei ela a mentalizar coisas boas, a pensar em tudo de bom que tem, de pensar nele com alegria (como e dificil falar uma coisa assim...).
Sai e ela estava melhor. Segurou minha mao. Nao sei porque a mão dela me lembrou a mao da minha avó. Branquinha, macia, com as unhas pintadas de cor-de-rosa.
Eu disse: "Sua mão está bonita!" Ela disse: "Minha filha veio aqui e fez minhas unhas".
Prometi a ela que voltaria na segunda-feira para ve-la.

Passei pelo quarto da Laura. A velhinha que apronta cada uma (risos!). Ela é uma gracinha.
Hoje ela me chamou, e disse: "Nossa! que bom que voce veio!". Depois eu disse para ela se poderia tirar uma foto. Ela disse: "Sim, mas antes quero falar uma coisa para você, e você vai repetir comigo". Falou com o dedo no meu nariz. Concordei. Risos.

Ela levantou um dedo e disse:

I AM HEALTHY (eu sou saudável)
I AM HAPPY (eu sou feliz)
I AM ON MY WAY TO HEAVEN (eu estou a caminho do Paraiso).

Repeti. Ela riu alto e disse: "Ela aprendeeeeeu!". E ria como uma criança.

Tirei a foto. E ela sorriu.



Passei pelo quarto do Norman Wise. Ele e aquele que foi Sargento na 2a. Guerra. Faz questao que eu passe no quarto dele, para conversar. Entusiasma-se a falar dos batalhoes, dos tiros... (e eu que nao gosto de filme de tiro, fico escutando...risos). E mostra as medalhas. E fala das armas. E da bandeira. Falei para ele que eu me emocionava muito com o Hino Americano.



Vejam a condecoracao na parede. Ele é um Livro de Histórias.

Sai do quarto do Norman e passei no quarto da Isabelle. Essa é bem mais lucida. Talvez por isso ela sofra mais por estar lá. Sinto que ela tem uma lucidez muito grande, e conversa sobre tudo. Hoje ela me disse que nao estava bem. E eu disse: "O que voce tem?" Ela respondeu: "Nao é nada fisico e sim psicologico mesmo". Noto que ela é bem diferente dos outros velhos.

Já era hora de ajudar no jantar. Como gosto de fazer isso!
Vou de mesa em mesa colocando o chá gelado, água, ou limonada. Café. Conversando com eles.
A Laura (a velhinha de chapéuzinho vermelho) ja estava sentada lá. E me abanou a mao!

Já decorei o nome das pessoas.

De repente vem o Warren. Esse e um velhinho que vem andando com muita dificuldade. Entao para, e fica olhando para a gente. E eu digo: "Quer sentar Warren?" Ele murmura: "Acho que quero"... risos.. Seguro-o pelo braco, e levo-o para a mesa. Ele se senta, e fica a olhar para baixo.
Hoje cortei toda comida para ele em pedacinhos. Ele come com a mao. Nao consegue comer com o garfo. Depois eu o vi colocando manteiga dentro do suco. E ria. Como uma crianca.

Passei pela mesa do cego. Essa é a minha preferida. Como gosto daquele homem! Gostaria de um dia gravar algo em Braille que pudesse dar para ele ler, o que penso dele! (hoje estava pensando na volta, vou descobrir como fazer isso). Ou vou fazer um poema para ele.
Hoje fui colocar a comida dele, e disse: "Bill, hoje tem macarrao, espinafre... e...." (nao consegui distinguir que tipo de carne era, estava empanada). Eu disse: "A carne nao sei, vou perguntar". Ele disse: "Nao, nao precisa. E comivel, nao e? Ta bom...nao precisa nao!".

Tem sempre um sorriso no rosto. Como se a vida para ele fosse a coisa mais linda do
mundo. Come com prazer. Como se para ele nao fosse importante enxergar. Mas sentir.
O engracado foi que no final do jantar houve um problema eletrico e apagou a luz. E alguem disse: "Esta escuro aqui".
Ele sorriu. Vi atraves da sombra da sala que ele sorria. Por um instante tentei ler seu pensamento. Escuro... aquele homem vive no escuro. E age como se estivesse em plena luz... Como se estivesse dizendo: "nao esta escuro. Vejam...a vida é
iluminada".

Corri tanto. Para lá e para cá . Agua, cafe, cha, sobremesa... leite, suco, canudinho, mais um garfo. "Corta para mim?" "Abre esse saquinho para mim por favor?" "Poderia trazer mais gelo?" "Nao tem mais manteiga?" "Voce tem outro pao?"
Acabou o cream para o cafe.

Ai a minha velhinha de chapéuzinho vermelho disse: "Voce pode me trazer a sobremesa?" Eu disse: "Laura voce tem que comer a comida primeiro". Ela ficou muito séria e disse: "Eu quero minha sobremesa senao vou jogar tudo no chao!" Risos
(Lembrou minha filha quando pequena...).

O que sao os velhos mais do que criancas grandes? Tao inseguros em seus passos e seus atos... Tao sensiveis.
Qualquer palavra para eles, e uma GRANDE PALAVRA... Qualquer gesto, UM GRANDE GESTO.

Queria pedir uma coisa a voces. Aqueles que pensam em fazer algo no ano de 2008 por alguem, facam por um velho.

Fala-se tanto em criancas...no entanto quantos velhos nos Asilos estao abandonados, esperando somente a morte, enquanto podemos dar a eles um pouco de vida?
Conversem com eles. Perguntem de sua vida.
Sempre há alguem a perguntar para uma crianca: "Qual o seu nome?"

Entao pergunte para um velho: "Como vai voce?" mas depois de perguntar , nao passe sem ao menos escutar a resposta. Pare e sente para escutar o que ele tem a dizer. Com certeza, a sua resposta nao sera resumida em uma so sentenca. Ele vai falar muito o que tem em seu coraçao.
E voce vai ficar surpreso de quantas coisas vai descobrir naquela conversa. E vai sentir um sentimento de alegria interior, que vai surpreende-lo muito!


ERA POUCO





Era pouco
muito pouco o que aquele velho queria
em seus olhos pedintes
refletia o desejo de um entendimento
sem palavras
e sua boca tremula
talvez nao conseguisse murmurar
palavras com algum significado
mas pedia com seu silencio
um olhar de entendimento

Era pouco
muito pouco o que seu corpo fragil
podia lhe dar
passos inseguros com medo da estrada
inseguranca de vida
pedia com seu silencio
que a mao fosse estendida
o coracao pudesse entender
a mensagem muda
de seus labios cerrados

Eram poucas
suas lembrancas colecionadas
em cima de um criado-mudo
um porta-retratos com foto dos filhos
quando eram pequeninos
um velho radinho de pilha
um copo d’agua, uma pilula
uma saudade guardada
numa velha carteira de couro
no bolso de sua calca

Seu olhar de paisagem
fitava um canto qualquer
prescrutando uma saudade
em sua memoria vivida
recordava-se de enderecos
ruas, de calcadas antigas
e como uma crianca inocente
perdia-se nas lembrancas
Confundindo-se entre o passado
e o presente

Era pouco
o que pude dar a aquele homem
diante da riqueza de sua vida
ele havia passado por tantos pedacos
colecionado tantas dores
cada ruga de sua face
contava uma historia em silencio vivida
e fiquei ali a olhar aquele velho
a fitar sua figura fragil e delicada
plantada no fim da estrada da vida...

FELIZ ANO NOVO A TODOS VOCES!


®Mary Fioratti

Peço que me perdoem a falta de acentuacao! As vezes nao tenho paciencia para acentuar tudo, já que meu teclado nao tem acentos,e preciso recorrer a um "copiar" e "colar"...
Essa poesia eu fiz pensando no meu pai.

25 dezembro 2007




(Foto tirada pela Patti quando chegamos da missa)



NOITE DE NATAL




Hoje fomos a missa as 11 da noite. Foi uma missa maravilhosa.
Chegamos as 10:00 para pegar um lugar, pois o Coral comeca a cantar musicas de Natal as 10:30.
Tambem houve o "Coral dos Sinos", varias pessoas tocando sinos, formando musicas. Muito bonito.
No final, cantamos todos "NOITE FELIZ" (HOLY NIGHT) é realmente de arrepiar toda aquela multidao cantando.

Esse é o presépio de nossa Igreja:



Ja passa da uma e meia da manhã.


Tenham todos voces um FELIZ NATAL!


®Mary Fioratti

24 dezembro 2007



FELIZ NATAL




Meus amigos queridos:

Quero desejar a voces um NATAL MARAVILHOSO cheio de paz, amor e alegrias.
Obrigada por estarem aqui, durante o ano todo, lendo tudo que escrevo, e deixando-me
repartir minha vida com voces.

Que hoje possamos agradecer tudo que temos, e sermos infinitamente gratos a nossa SAUDE, essa joia preciosa que Deus nos deu!

Hoje vou no Asilo dos Velhinhos a tarde, ver aqueles que nao tem familia e ajudar a servir o jantar. Acho que isso vai me fazer sentir muito bem no Natal, pensando que posso dar um pouco de mim, assim como Jesus deu TANTO dele para nos.

A noite iremos a missa, as 11:00 horas. Mas as 10:30 comeca o Coral de Natal com musicas maravilhosas cantadas. Nesse coral ha muitas pessoas velhas, alias, de todas as idades, muito emocionante.

Sentados em baixo de nossa arvore, eu e o Roque rezamos todos os dias a partir de primeiro de dezembro ate o dia de Natal. Colocamos nosso Menino Jesus embaixo da arvore, e cada dia um faz uma oracao, e nela envolvemos todos nossos amigos e familiares e agradecemos por tudo que recebemos no ano.

E voces estarao em meu pensamento!


Um beijo carinhoso

FELIZ NATAL!

Mary Fioratti

PS: Na parede do lado da minha arvore ha um Cristo talhado na madeira que nos foi presenteado pelo irmao do Roque em nosso casamento. Com o sol, ficou parecendo somente os contornos dele. Vejam que assim mesmo ficou lindo!

20 dezembro 2007



NOSSO ANIVERSÁRIO DE CASAMENTO




Hoje é nosso aniversario de casamento. Casamo-nos em 21 de dezembro de 1979 na Capela do Centro Técnico de Aeronáutica (C.T.A.) em São José dos Campos.



Ja contei aqui como conheci o Roque, mas vou "recontar", para quem nao sabe.

Em 1974 ele comecou a dar aulas de Ingles no Colegio Particular Synesio Martins, onde eu fazia o terceiro ano de Secretariado. Na epoca ele trabalhava na Kodak como Supervisor de Cargos e Salarios. E dava aulas a noite.
Todas as meninas ficaram interessadas naquele professor novinho (na epoca, 24 anos), com um fusquinha vermelho envenenado (risos), calca boca-de-sino justinha, cabelos compridos e com uma personalidade muito determinada.

Na epoca eu tinha outro namorado, e quantas aulas de Ingles matei para namorar... Na verdade eu nao tinha dificuldade nenhuma, pois fazia um curso de Ingles, na Cultura Inglesa.

De repente me vi interessada por ele. Acho que era aquela personalidade de "durao". Nao dava bola para nenhuma menina.

Comecamos a "paquerar" (nossa que palavra antiga), nos ultimos meses antes da Formatura. Ele me pediu se eu poderia ajuda-lo a passar as notas na Caderneta de escola. E eu ficava depois da aula (ja interessada, claro) com ele na classe passando notas, mas tudo muito serio, passando notas mesmo....

No final do ano, ficamos juntos no jantar de formatura, e ele me levou em casa no seu fusquinha envenenado.
Pediu se podia me ligar. Eu disse, claro que sim. Pediu meu numero. E eu disse: "Olha, eu trabalho na Sociedade Construtora Aeronautica Neiva. O numero esta na lista".
Na verdade achei que ele nao ia me ligar.
No dia seguinte avisei a telefonista que se um cara chamado Roque me ligasse, que ela me achasse onde eu estivesse.
Um dia fui para S.Paulo, e ele ligou. E a telefonista entao disse: "Nossa! Ela estava esperando muito sua ligacao".
Ara...me entregou....risos..

Comecamos a namorar em fevereiro de 1975 no Carnaval. Namoramos quase cinco anos, e casamos em 1979.

Quem ve o Roque, e o conhece, dificil liga-lo comigo. Somos opostos.

Ele: calmo, equilibrado, tem muito cuidado com suas palavras, nunca toma uma decisao imediatamente, pensa no problema em diversos prismas, tem uma paciencia muito grande com tudo, fala devagar.

Eu: Impaciente, desiquilibrada, falo e depois penso, tomo decisoes imediatas (e me arrependo um minuto depois), penso num problema de um lado só, sou impaciente, falo muito depressa.

Lembro o dia que minha filha bateu o carro. Ela me ligou gritando no telefone (nem conseguia entende-la). Aí antes de sair de casa liguei para o Roque chorando: "A Patti sofreu um acidenteeeeee de carro"!!" Ele todo calmo, disse: "Voce sabe se ela se machucou?" (num mesmo tom de voz). E eu: "Nao seeeeiiiiiiii" E ele: "Mary, calma, vá indo com cuidado, encontro voces lá".

O que sempre me atraiu no Roque foi sua inteligencia. Aquela inteligência "quieta", sem alardes. Humilde, escuta mais do que fala.
Foi o primeiro aluno das duas Faculdades que fez. Sempre faz tudo com extrema dedicacao.
Só nao gosta muito de poesias. Lê algumas minhas. Ele nao sonha muito. Vive na realidade. Eu estou sempre sonhando...

Hoje fazemos vinte e oito anos de casados.
Falei assim: "Nossa parece que esses 28 anos passaram tao depressa, voce nao acha?"
Ele disse: "Verdade! parecem 28 minutos".. e completou falando baixinho: "debaixo d'água"...

O humor sempre foi muito importante para a sobrevivência de nosso casamento.

Parabéns para nós!

®Mary Fioratti

18 dezembro 2007





PAISAGEM (Poetrix)



Pintei o céu em meu corpo
e na madrugada
fui paisagem em suas mãos

®Mary Fioratti

16 dezembro 2007




O PAI DO MEU BLOG




Sendo cidadã americana desde 2001, tornei-me uma pessoa que reclama todos seus direitos. E por esse motivo, acredito que vou processar o Zé com "child support" (ajuda financeira para o filho).

Sim, porque o Zé na verdade, é o pai desse blog! (risos).

Foi ele há dois anos atrás quem me convenceu a fazer esse Blog. E lógico, me ajudou em tudo, nos pequeninos detalhes.
Quando tenho algum problema, dou um "grito", ele me faz entender e me ajuda a resolver (quando nao resolve).

Não parando ai, o Zé é aquele que socorre, não somente a mim, mas a um mundo de gente nessa net, que recorre a ele com duvidas, pedidos, que ele sempre faz questao de atender a todos com o maior carinho!

Um dia desses vi o nosso amigo Kafé agradecer o Zé por uma dica que ele deu. E assim ja vi tantas pessoas agradecendo pela sua ajuda, o que ele faz com a maior boa vontade.

O Zé é Engenheiro Mecanico por profissão. Curioso nato! Engenhoso, inteligente. Dar um desafio ao Zé é ter o resultado em pouco tempo.

Cauteloso, sempre examina tudo com muita atenção. Confio em suas intuiçoes. Porque alem de inteligente, o Zé tem um tremendo senso. E muita classe!

De vez em quando recebo dele um email de algo que ele descobriu, e que quer repartir comigo. E com que facilidade ele consegue entender coisas, e lidar com elas!

Tudo que faz é com carinho imenso, com dedicacao, gosta de passar para frente tudo de bom que aprende.

Mas a marca registrada do Zé é a sua "finesse" a escolher os assuntos que publica, as fotos que ele modifica, a musica que sempre casa direitinho com essa mistura de imagem e texto.

Blog do Zé:




Conheci-o pessoalmente (nossa Zé estou falando de um jeito que voce até parece um cantor famoso, né? risos) em 2004 quando fui para Marilia, cidade onde nasci, para visitar meus tios, tias e primos, todos do lado da familia de minha mae. Até então conheciamos-nos apenas por emails.

Tive nessa época a oportunidade de ir em sua casa, conhecer sua familia e saborear um delicioso bolo de morango. Tambem conheci a querida d. Ivette, sua mae que veio da Fazenda para me conhecer.

Zé, preciso dizer mais? Voce é uma pessoa que definitivamente mora em meu coração, e ali vai estar SEMPRE.

Quero lhe desejar hoje meu amigo querido, meu irmão, um MUNDO de felicidades! Que Deus o proteja, lhe de saude, amor, paz, e que esteja sempre ao seu lado o abençoando, e que seus sonhos todos se realizem.

E para voçê, que sempre nos distribuiu flores, aqui vai uma flor para voçê no dia de hoje com amor e carinho!



E deixo tambem um bolo de morango!



Um beijo carinhoso, um abraço apertado dessa sua amiga/irmã para sempre!


Mary Fioratti

13 dezembro 2007


(Transformei essa minha foto de hoje com tons antigos para combinar com o texto)

HISTÓRIAS DE AMOR E VIDA NO NATAL





A época de Natal é de fraternidade. E de reflexão. E aqui eu quero repartir com vocês, histórias de amor. Histórias que um dia poderão acontecer com um de nós.

Estar voluntariado nesse "Asilo" (chamemos assim, embora a realidade dos EUA seja muito diferente da realidade do Brasil), me faz ver coisas alem do que vejo.

Aqui é muito comum as pessoas velhas que possuem um imóvel, uma casa por exemplo, entregarem essa casa para o Asilo, como pagamento de sua estada. E é isso que muitos fazem, pois o custo é muito alto. Varia de $2,500 a $4,000 dólares/mês.

Ontem mais uma vez fui fazer o meu serviço voluntário. Vou dizer a vocês, que com a idade que estou, e contando toda minha vida profissional e tudo que fiz, nada me deu na vida mais satisfação, do que isso que estou fazendo. Difícil explicar a sensação de ajudar pessoas sem ganhar nada.
Sabe, isso que estou falando pode ate parecer "piegas" ou que estou fazendo "propaganda de mim mesma". Não e não.
Não estou recebendo em dinheiro, mas em experiencia de vida. E tambem a oportunidade de refletir muito.

Aquele lugar é um mundo de histórias, de vidas que tem um valor imensurável para quem participa dele.

Quando chego, me entregam um papel com a lista das pessoas que tenho que visitar. Existem as alas "A", "B" e "C", então lá vou eu a procurar meus pacientes.

Existe uma senhora que fui da primeira vez, que seu marido morreu de derrame cerebral em Agosto. Ela se sente muito sozinha, e gosta de conversar, e mostrar na parede as fotografias de seus sete filhos, a casa que o marido construiu, o carro que eles tinham. Há uma foto dela com ele na parede, bem perto dela, que foi tirada uma semana antes dele morrer.

Ontem pela segunda vez fui visita-la, e ela ficou feliz ao me ver. Conversamos bastante, (deixo-a falar mais sobre o que quiser falar). Ela já e bem velha, mas com traços bonitos.
Ontem, olhei na parede do outro lado da sua cama e vi sua fotografia com o marido, quando eles se conheceram. Achei tão bonita, que pedi para tirar uma foto dessa fotografia:



Eles se conheceram e ela tinha 16 anos e ele 18. Diz ela que foi um amor a primeira vista, e que nunca mais se separaram (foram casados 68 anos).
Ela fala e se emociona. E eu me emociono.

Sai de lá e fui visitar o Norman. Ele é um velhinho muito simpático. Foi Sargento na 2a. Guerra Mundial e com muito orgulho, conta todas as histórias. O companheiro de quarto dele parece estar meio "cansado" de ouvir essas histórias (risos), pois quando ele fala, liga a TV...

Esse homem tem um orgulho tão grande de ter ido para a guerra. Tem uma cômoda do lado da cama, cheia de fotografias. Ele me deu uma foto dele com o Presidente Ronald Reagan, os dois se cumprimentando. Tem medalhas, panfletos, tudo que vocês possam imaginar.

Pedi autorização dele, para tirar a foto de um cachorro de pelúcia que a bisneta dele presenteou-o. Uma especie de almofada.
Vejam que bonito:



As quatro horas fui ajudar o Toni do Restaurante a servir o jantar. Como gosto de fazer isso!
Pedi a semana passada um mapa das mesas, e decorei os nomes. Assim fica mais fácil de servir os pratos. O Toni os prepara e eu vou nas mesas levando, e também um carrinho com as bebidas, chã gelado ou água gelada.
Cada um tem uma dieta. Ontem fui levar na mesa do Norman, as sobremesas. E na mesa dele, tem uma velhinha chamada Isabella.
Ela não pode comer doce por ser diabética. Então ela me disse: "Olha, me de uma torta de maca hoje, por favor. Eu não quero comer essa fruta". O Norman pegou o pratinho e disse: "Não Isabella, você não pode, você e diabética".

Nossa! A velhinha levantou, e parecia que ia ter um ataque! Risos. Colocou o dedo na cara dele e disse: "Olha aqui, eu tive um marido durante 45 anos e não quero ter um outro nesse lugar aqui que fique podando o que posso ou não fazer!!!"
Todos olharam... e riram. Depois soube que ele gosta dela, mas ela não quer nada com ele.

Viram? O amor existe em todas as idades...

Há uma velhinha (essa eu adoro) que vem sempre com um chapeuzinho vermelhinho, mas ela e uma graça! Mas a gente pode notar que ela tem um temperamento que não e fácil!
Quer sempre duas sobremesas, esconde um pedaço de torta do lado da cadeira e diz que não ganhou torta (risos).
Ela me lembra sempre uma velhinha que faz parte das grandes piadas de velhos aqui nos EUA, a Maxine:



Sabe, são todos umas crianças-grandes.

Tenho muita pena de um velhinho que vem todas as tardes para jantar com sua mulher. Ela teve derrame cerebral e ele da comida em sua boca. Ontem, quando fui levar o prato dela, os dois estavam dormindo, ela com a cabeça no seu ombro e eles de mãos dadas.

Mas de tudo, o que mais me impressiona e um velho cego. Ele e o único que sempre elogia a comida. Quando coloco seu prato, ele diz: "O que tem hoje?" Então eu falo, e ele diz: "Nossa, esta parecendo uma delicia". "O cheiro esta tão bom".
Coloco café e ele diz: "Muito obrigada, o café esta delicioso".
Ontem ele me perguntou: "Esta nevando hoje?" Eu disse: "Não, esta apenas muito frio".
Ele disse: "Adoro esse tempo de frio, essa neve, e com a neve, tudo fica tão bonito"
Naquele momento senti uma coisa aqui dentro de mim, inexplicável. Vejam, aquele cego "VIA" a paisagem que nos, que enxergamos com dois olhos, talvez não vejamos com o coração que ele vê.
Talvez um dia ela já tenha visto, e guarde essa imagem. Talvez, ele nunca tenha enxergado, e imagine essa imagem.
O engraçado e que vou chegando perto da mesa e ele diz: "Olá, obrigada por nos servir". Ele pressente a presença, uma coisa admirável.

Meus amigos... quero dizer a vocês que essa tem sido uma grande experiência para mim. Gostaria que um dia vocês pudessem experimentar esse sentimento.
Quantas mãos se estendem nesse caminho a procura de uma palavra. Nos temos tanto! E eles, na reta final de suas vidas, tem tão pouco! E valorizam tanto tudo que tem.

Termino aqui com uma propaganda que tinha no Brasil ha muitos anos atras.

Aparecia o pai com o filho pequeno, e ele dizia: "Come, meu filho!" E o menino fechava a boca e não queria comer.
Depois, mais tarde, o filho já adolescente, o pai viu o viu fumando. Arrancou o cigarro da mão do filho e disse: "Não fume! Isso faz mal para a saúde!".

Então a propaganda mostra muitos anos depois, o pai velhinho e o menino um homem, o velho sentado na mesa, e ele dizendo: "Come pai! você precisa comer". E o pai fechando a boca, não querendo comer.
Depois o filho vê o pai escondido fumando na área, vai lá tira o cigarro da mão do pai: "Pai, cigarro faz mal!".

E isso me faz pensar: o que é a vida senão um reciclar?

®Mary Fioratti

09 dezembro 2007



TEMPO DE NATAL E NOSSA COLEÇÃO DE LEMBRANÇAS





Gosto de enfeitar minha casa para o Natal. Os enfeites são antigos, e nunca mudam. Esta arvore minha sogra me deu de presente quando esteve aqui. Na verdade, não é uma arvore de natal, mas eu a enfeito com bolinhas todos os anos, e coloco luzinhas. Gosto de ve-la no cantinho da minha sala.

Esses enfeites de parede, sao de uma loja que tudo custa $1 dolar. Na verdade, eu aprendi ir la com minha filha. Ela tem paixão por essa loja. Coisas de adolescente.
Minha casa tem pequenos enfeites, mas todos com um grande significado para mim. Não sou muito de "marcas", nem de lojas chiques. Acho que ja deu para perceber que sou brega (risos). Mas gosto de tudo que me apela os olhos.
Por exemplo, esses peixinhos:



Uma vez eu vi numa revista de decoracão, dois peixinhos assim, ao lado de um quadro na parede. Os peixinhos lembro, eram carissimos.
Um dia vi uma "copia" desses peixinhos numa loja muito popular aqui. Tipo assim, "Lojas Americanas" no Brasil (K-Mart). São de plastico. Comprei-os na hora. Cheguei em casa, e os pendurei na parede, ao lado de um quadro que tenho.
Então meus impulsos sao assim, e depois me trazem lembranças quando os vejo. E satisfazem meus olhos.

Nao tenho técnicas de decoracão. Acho que o gostoso e entrar em nossa casa, e ver tudo de acordo com o que a gente "sente".
Decorar para mim, é como se eu estivesse criando um pouco da minha historia e da nossa familia em paredes e cantos da casa.
Acho lindo esses filmes em que as pessoas entram em um ambiente e fixam os olhos em um objeto, e de repente como um filme atraves de seus olhos, surge uma história.




Em 1985 uma americana que trabalhava na mesma cia. que o Roque, foi ao Brasil, e ele levou-a ao Embu para comprar artesanato. E me apaixonei por esse quadro. Ele estava jogado num canto, e quebrado atras. Tem algo nesse vaso que me encanta. Essas duas rosas, o copo de vinho vazio, e uma pauta de musica... parece um livro de historias. Um quadro nostalgico. Parece que a pessoa que o pintou, colocou ali um pouco de sua vida.
As borboletinhas do lado minha amiga Noely me presenteou.

Toda vez que comeco a tirar meus enfeites de Natal parece que desenterro muitas lembranças. Lembranças que nao sao especificamente de Natal, mas que essa epoca do ano ressurgem.

Aqui vai uma foto de um Natal na casa de meus pais, eu e meu irmao, nem sei em que ano era...como estou "mocinha"... (risos). Ao lado do meu irmao, a arvore de natal com os presentes de amigo secreto.



Vamos buscar minha filha na 6a. feira depois dos exames da Faculdade. E com ela vem tambem muitas outras lembranças. Em seus olhos pretinhos enxergo um pouco da sua infancia com meus olhos de mae. Tenho vontade de tomá-la nos bracos, mas lembrando que ela é uma adolescente a embalo com meus olhos.

Assim é a vida. Uma sucessao de "recortes", que vamos pregando naquele Livro.
E com os lapis de cores de nossa alma vamos colorindo os desenhos de nossa vida como criancas com seus livros de colorir.

É a pintura feita por Deus de nossas vidas. Como Ele faz da natureza:






®Mary Fioratti

07 dezembro 2007


COM A PRIMEIRA NEVE, A ESPERA DO NATAL





Ontem fui surpreendida com essa foto, enquanto tirava o Papai Noel do armario.




Os anos passados, fazia isso com minha filha. Enfeitavamos a casa, e ela me ajudava a armar a arvore.
Este ano, ela vem para casa somente no dia 16 de dezembro, entao ja comecei os preparativos, pois quero que a casa esteja bem bonita quando ela chegue.

Comecamos tambem nossa novena de natal agradecendo tudo que tivemos esse ano.

Esta foto tirei nesse momento, da paisagem fora da minha janela:



Recebi um email de meu irmao agora: "Mana... que legal! ADOOOOORO FRIO e neve nessa paisagem bucólica, sem cor."

Essa semana fui pela primeira vez no meu servico voluntario, na Casa dos Velhinhos.
O ambiente esta puro Natal! Arvores coloridas, enfeites, e ate Papai Noel.

No dia que fui, houve a festa de aniversario dos que aniversariam em dezembro. Um pianista veio tocar musicas de Natal, e tambem cantar parabens para eles.
Ele os chamava pelo nome, e cada um levantava a mao dizendo sua idade. Um velhinho,
dormia na mesa, segurando um copo de suco.
- Sr. Joe! Parabens! Quantos anos o sr tem?
E o velhinho, acordou, sorriu e disse:
- Tenho 98.
Os outros, comiam as bolachinhas contentes, e batiam o pé no chao acompanhando a musica, ou tamborilavam na mesa.
Outros, totalmente ausentes, olhavam assim com aquele olhar de paisagem (um dia desses minha tia Carmencita usou essa expressao, e a achei perfeita para aquele olhar perdido...)

Fui depois visitar as "minhas pacientes", no entanto somente uma estava acordada.
Ela me contou que a familia dela era de 8 pessoas, e que eles foram muito felizes. E me falava de um jardim...e repetia...o jardim... e fiquei imaginando na minha cabeca que esse jardim deveria ser colorido, bonito, e aquela velhinha de cabelinho branco, era jovem, sorridente, e ate a vi cercada dos filhos.
Fiquei com vontade de perguntar da familia. Mas nao pude.

Temos diversas regras para ser voluntarios: nao podemos perguntar da familia, nao podemos sentar na cama deles, ajuda-los a comer, ou a se vestirem. Apenas escuta-los, e conversar.

Prometi a Bety (o nome dela) que voltaria na Segunda-Feira. Perguntei se ela queria que eu empurrasse a cadeira dela para o quarto, (ela estava no corredor), e ela disse: "Nao, eu estou esperando minha companheira de quarto. Enquanto ela nao chega, eu nao entro. Me preocupo com ela, sabe?"

Fidelidade.

Depois fui ajudar a servir o jantar.
Ha uma coordenadora que tem tudo por escrito, quem come o que. Diferentes dietas.
E ela ia me indicando onde levar os pratos.
Esses sao os velhinhos que comem sozinhos e sao independentes. Assim mesmo, que dificuldade eles tem de chegar ate a mesa. Uns andando, outros em cadeiras de rodas.

Alguns alegres, outros tristes, uns apenas quietos. Me apresentei a cada um. E sempre adiciono uma pitada de interesse, dizendo que sou do Brasil. Eles me olham com os olhinhos arregalados e dizem: "Do Brasil?" Parece que vim de Marte! (risos). E eles se maravilham de conhecer uma pessoa que veio de outro pais.

Um velhinho dormia na mesa, e fui levar o prato dele. Eu o acordei e ele disse: "Nossa! ja é de manha?" Eu disse: "Nao, é a hora do jantar". Ele disse: "Nossa, tempo voa, nao?" (risos).

Um outro, me contou que lutou na 2a. Guerra Mundial na Italia. E contou-me que um batalhao de brasileiros o salvou. Chama-se Norman.

Fiquei impressionada quando fui servir um velho e ele me perguntou o que tinha no prato. Era cego. Eu o havia visto entrando sozinho na cadeira de rodas. Com certeza sabe o caminho de cor...

Alguns com o olhar perdido. Outros, olham em volta, sorriem.

Em uma mesa, diferente dietas. Quatro velhinhas sentadas. Levei os pratos e para duas, era apenas arroz com vagem e pure e as outras duas, hamburguer com batatas fritas.
Uma delas olhou para mim e disse: "Eu quero hamburguer com batata frita!". Eu disse: "A sra. nao pode, essa é a sua dieta".
Ela me disse: "Mocinha, eu estou muito velha para dietas. Me traga hamburguer com batatas fritas!".

Um outro velho me pediu café. E pediu um canudinho. Eu disse: "O sr. tome cuidado para nao queimar a boca". E ele disse: "Mocinha, eu tomo isso todos os dias. E nunca queimei a boca!".

Risos. Mocinha! Gostei desse trabalho voluntario! Afinal, entre 80, 90, e até um de 101 anos, eu sou MOCINHA mesmo, nao sou?

Mas vi muitos velhos sozinhos nos quartos. Uma area onde ha doentes mentais. Depois da festinha de aniversario, me pediram para levar uma para o quarto, ela estava em uma cadeira de rodas. Ela me disse que nao pertencia aquela ala. Que ela nao era doente. Colocou o pé no chao, e me impediu de puxa-la. Tive que chamar a enfermeira.

So quero dizer a voces que foi uma experiencia muito valiosa.

Na verdade, estou "dourando a pilula", pois nao é tudo tao bonito como descrevi. Na verdade, eu tentei ver de um modo bonito.
Mas é uma grande reflexao.

Uma semana antes do Natal vamos preparar as velhinhas para a festa. Fazer suas unhas, arrumar seus cabelos.
Engracado, estava lembrando agora. Vi na mesa uma velhinha de cabelinho branquinho, e comprido, ate o meio das costas. E lembrei de mim. Porque eu sei que vou ser uma velhinha de cabelos compridos.
E no momento que a vi, fiquei a pensar se um dia eu estaria num lugar desses...


®Mary Fioratti

PS: Resolvi que vou escrever um livro. Com nomes ficticios, é claro.

28 novembro 2007





O INCONFUNDÍVEL CHARME DE UM BRASILEIRO




Aqui nos Estados Unidos, existe um show chamado "Dancing with the Stars" (Dançando com as Estrelas).

Pessoas se inscrevem para dancar com alguém famoso (acredito que alguém me disse que existe no Brasil coisa semelhante). E entao é feito o concurso.

Ultimamente todo lugar que eu ia, um americano me perguntava: "Ah, você e brasileira? Esta acompanhando o Hélio na Dança com as Estrelas?"

Na verdade eu nunca havia visto esse programa, e resolvi começar a ver. Afinal, se despertava a atenção desses americanos que me perguntavam, se era alguém do meu Pais, eu queria ver.

Comecei a assistir então toda semana. Na verdade eu peguei esse programa na 5a. semana, e ele vai ate 9 semanas.

Acho que eu nem precisava saber quem era o Hélio Castroneves. Quando vi seu rosto diante daquela multidão de dançarinos e dançarinas, eu pude enxergar o seu sorriso aberto. O Brasileiro quando sorri, e como uma porta que se abre. São braços que se estendem. Difícil, muito difícil explicar em palavras.
Alias, quase impossível para uma pessoa de qualquer outro Pais, poder entender o que e ser Brasileiro.

O Brasileiro tem aquele apelo tão próprio, que o sentimento aparece em seu sorriso, em seus gestos, em sua espontaneidade.

Hélio Castroneves e corredor de Formula Indy. Mora em Indianápolis. Resolveu participar desse concurso de dança, sem nunca ter dançado (e Brasileiro, precisa? risos).
Contratou uma professora de dança, e começou a aprender. Junto com a professora famosa, estavam três profissionais da dança, dois homens e uma mulher, que participaram também em seu treinamento.

Cada programa eles tinham que apresentar com a(o) parceira (o) três danças. E o júri, formado de alto nível profissional, os julgava.

A cada semana eu não acreditava no que via. Hélio estava cada vez melhor. Recebia notas altas dos jurados. O aplauso efusivo do publico.

E olhando em seu rosto eu sentia um imenso, imenso carinho por ele, mesmo sem conhece-lo. Porque ele mostra aquela naturalidade tão brasileira! Brincadeiras espontâneas. Humor aparente. Sorriso no rosto. E alem de tudo, mostrou uma capacidade de dançar espetacular!

A cada semana crescia dentro de mim aquele desejo de vê-lo campeão. ( ele é corredor de formula Indy e já foi campeão duas vezes).

Esta semana foi a finalissima. Ficou entre ele, e um outro casal (ela, era uma das Spice Girls - lembram? Melanie Brown). Que tambem dancava muito bem!

Ali estava o Hélio com sua parceira, para a ultima dança.
E dançaram como nunca! Esse homem nao dançava: voava no chao. Parecia etéreo. Fez uma apresentacao maravilhosa!

E ele foi anunciado o vencedor!

Senti-me muito feliz com essa vitoria, porque sei que os americanos puderam enxergar aquele "algo mais" que nos brasileiros temos. Algo que vem da alma mesmo. E que ninguem pode explicar, mas somente sentir.

Esse homem tem uma simpatia natural, e absoluta! Conquistou nao somente o juri, mas todo o povo que estava ali assistindo. Um carisma inconfundivel.

De todas as dancas que eles fizeram durante essas semanas, escolheram essa abaixo para a "finale", e foi essa que o fez campeao! Essa apresentacao foi a ultima antes da "finale". Assistam e vejam as notas do juri! Vejam ate o fim do video, onde as notas aparecem.

Essa jurada (moca) foi DIFICILIMA de dar uma nota boa para alguem. Ela era sempre a MAIS EXIGENTE. Todos tinham aquele medo do julgamento dela. Assim um tipo "Ze Fernandes" do Silvio Santos, lembram? (risos)



PARABENS HELIO CASTRONEVES POR ESSE BANHO DE BRASIL, POR SUA ESSENCIA, POR FAZER VIBRAR NOSSOS CORACOES!



Mary Fioratti

Enquanto escrevo algo para voces, que estou terminando, deixo uma musica.
Beijos

®Mary Fioratti



ENTÃO ME DIZ


25 novembro 2007



MEU GOSTAR



Gosto de seus olhos
quando me olham doces
escondendo seu desejo
e suas mãos entrelaçam-se
nas minhas
seus dedos brincando
com os meus
delicioso silêncio
que nos envolve
quando fechando os olhos
pressinto uma ternura
de um gesto a seguir

Gosto de suas mãos
que pintam em meu corpo
paisagens indefinidas
de seus braços envolventes
de sua boca macia
que percorre trajetos
subindo e descendo as curvas
da minha imaginação
dessa sua transparência
que atravessa minha alma
e pousa em meu coração


Gosto daquela chuva de estrelas
que cai sobre nós
envolvendo em nuvem de sonho
cada pequeno momento
e de seu olhar
que implora o meu beijo
fechando seus olhos
explodindo em sentimento


®Mary Fioratti

21 novembro 2007





UMA FORMA DIFERENTE DE SER FELIZ





Antes de voces lerem o que escrevi abaixo, quero dizer que o propósito de ter escrito isso, e aberto meu sentimentos, é tambem uma sementinha de uma idéia para cada um de voces. Porque um Blog sinto que tem muita força, e muitas vezes leio outros posts em outros Blogs e nascem tantas novos sentimentos dentro de mim! Cada um tem o seu modo próprio de sentir. Ou de agir. Aqui eu digo tudo que sinto, mesmo que isso possa parecer brega. Se um dia eu deixar de dizer o que sinto, com certeza nao publicarei mais. Como sou aqui, sou na minha vida real. Ja "apanhei" muito com isso, aprendi um pouco, mas nunca deixarei de ser eu mesma em nada que diga ou faça.


Acredito que cada um de nós tem tanto para dar. Sinto-me sempre assim, como se tivesse dentro de mim um mundo inteiro para dar e receber.
Somos tão ricos! Como essa riqueza excede sempre, em sentimentos, em sentir, em olhar o mundo como se ele fosse um Parque de Diversões.
Onde estivéssemos inocentemente, como uma criança, brincando nesse parque, sorrindo de um modo puro, e totalmente sem intenções. Simplesmente sorrindo.

Sempre tive uma vontade muito grande dentro de mim de fazer um trabalho voluntário. E esse desejo foi crescendo a medida que a idade foi avançando. Talvez porque a gente comece a sentir essa fragilidade e fica a imaginar como essas pessoas mais velhas se sentem.

Tenho uma ternura tão grande por velhos! Muito mais do que por crianças. Embora eu ame crianças, acho-as uma renovação. E também vejo que elas tem muita platéia. Todo mundo brinca com uma criança. Acha-a bonitinha! Mexe em suas mãozinhas. Pergunta o nome...

E os velhos?

Tantas vezes eles são esquecidos em uma conversa. Lembro tão bem da minha irmã quando meu pai era vivo, e ela morava com ele, ela sempre estava preocupada que ele fosse deixado de fora das conversas. Hoje eu a entendo tão melhor!

Por que deixar os velhos de lado, se eles são verdadeiros Livros de Histórias? O quanto podemos aprender com eles, tirar lições de vida, observar o modo que vêem a vida?

Meu marido sempre gostou de conversar com pessoas velhas. Talvez porque ele tenha sido praticamente criado pelo seu avo, e aprendido tantas boas lições com ele.

O avo dele sempre dizia: "Um homem honesto cabe em qualquer lugar".

Os velhos, como as crianças, são imprevisíveis. Eles podem dizer coisas que calam fundo. Em seu olhar tem um mundo de vivência.
As vezes fico a olha-los e a pensar tudo que enfrentaram nessa vida: dores, momentos difíceis, perdas, e me emociono.

Aqui nos EUA existe essas Casas de Velhos (digamos, Asilo), no entanto de uma forma muito mais sofisticada. Paga-se muito! Mas os velhos conseguem ter uma vida digna. Moram com outros velhos, jogam Bingo, assistem TV, se reúnem para tomar café. Mas muitos deles são esquecidos pela família.

Minha filha quando tinha seus 11 anos, dançava para uma Companhia chamada "Connie Ferguson" e a dona dessa Escola , fazia muitos shows nessas Casas, principalmente no Natal.
E sempre íamos vê-la dançar junto com o grupo.

Se vocês vissem o rosto desses velhos ao olhar para elas! Eu sempre sentia uma emoção tão grande participando disso. Eles dançavam sentados em suas cadeiras, riam sozinhos... E muitas vezes eu tive a oportunidade de conversar com alguns deles e perceber o QUANTO eles eram solitários.
Lembro-me uma vez de uma velhinha, que em alguns minutos conversando com ela, ela me mostrou a foto dos filhos, dos netos, e contou que seu marido havia morrido ha alguns anos.
Senti a importância de ter parado aqueles minutos ali, e conversado com ela.

O Larry, cantor da nossa Igreja, também se apresenta cantando para os velhinhos, e ontem eu falei para ele que quero ir um dia com ele, somente para assistir e tirar fotos.

Este ano estou a procura de um serviço voluntário. Acho que isso pode nos ensinar tanto, e na verdade, pensamos que damos muito a alguém fazendo isso, mas na verdade, recebemos muito mais! Recebemos a satisfação de ver uma pessoa feliz. Existe maior satisfação que essa? De ver que conseguimos colocar um sorriso em algum rosto?

Nos Domingos quando vou na nossa Igreja, sempre dou uma olhada nos anúncios que fica num quadro. E ontem li que uma dessas casas de velhos estava pedindo uma pessoa que pudesse a tarde, durante algumas horas, servir refeição para os velhinhos.
Ontem liguei e deixei recado. E estou tão ansiosa, e querendo que me chamem. Vou me sentir tão feliz em poder fazer isso!

Todos nos temos um potencial enorme para fazer uma pequena coisa por alguém. Seja isso pequeno...um pequeno gesto que pode mudar uma vida.
Penso isso, porque tantas pessoas que passaram pela minha vida, mudaram um momento, ou me fizeram reciclar algo, ou mudar minha decisão.

Gostaria de sentar com os velhos, e ouvir suas historias. Olhar a fotografia de seus filhos e netos. Ouvi-los dizer que foram jovens, que eram bonitos.

No verão, quando vamos naqueles concertos na Praça, sempre fico a olhar esses casais de velhinhos que dançam. E me emociono tanto! Fico a pensar quantas coisas eles passaram com os filhos, com doenças, com situações difíceis, quantos momentos de felicidade tiveram. E ainda estendem suas mãos para dançar, e sorrirem um para os outros.

Comecei a escrever isso ontem. E ja tenho uma novidade... Ontem mesmo toca meu celular no servico, e quando atendi era Diretora da Casa de Repouso dos Velhinhos. O lugar chama-se "Meadowbrooks".

Conversou comigo um tempo, vou encontrá-la para conversarmos, e começarei meu serviço voluntário na próxima Segunda-feira. Das 2:00 as 5:00.

Ela indica certos velhinhos ou velhinhas que não tem família que visitam, ou se sentem solitários. Eles dao livros que podemos ler para eles. E principalmente, o que quero fazer e escutá-los. Escutá-los muito!

As 4:30 vou ajudar na cozinha, a servir o jantar.

Vocês não imaginam como isso mexeu comigo! Sempre tive uma imensa vontade de me voluntariar com esse tipo de servico, e acho que tenho tanta coisa de mim ainda para dar!

Depois conto a vocês minha experiencia.

Este foi um grande presente!

E aproveito a desejar a voces um FELIZ DIA DE AÇÃO DE GRAÇAS! Um dia para reciclarmos todas as nossas bençãos. E agradecer muito!


®Mary Fioratti

19 novembro 2007



ÍMPETO



Não quero tentar descobrir
as razões do meu coração
quero entendê-lo
pelas batidas
e deixar-me levar
pela sua música
quero mover-me
languidamente
pelo seu ritmo
e de olhos vendados
seguir a trilha
que ele traçou...
Não importa
se ela é passageira
se há sinais vermelhos
colocados pela razão
Quero só hoje
Indiscretamente
Seguir a trilha
Do meu coração



®Mary Fioratti

15 novembro 2007



O MEU AMOR POR VOCÊ



Vem... senta aqui ao meu lado
silencia enquanto olho em seu rosto
descobrindo seus pensamentos
deixa-me fazer um raio-x de sua alma
sinta minha mão procurando a sua
entrelaça seus dedos aos meus
fiquemos assim por um tempo a olhar estrelas
e a sonhar com coisas impossíveis
vem...desnuda -me com seus olhos
entra no túnel de minhas paisagens
onde poderá ver nas paredes
fotografias que tirei com minha retina
de momentos que se passaram
de uma expressão de seu rosto que me cativou
ou o flash súbito de um sentimento
detenha-se no amor que mostro nesse momento
vem... e leia a verdade no toque úmido de meu beijo
quando minha língua passear em sua boca
provocando sensualmente seu desejo
sinta meu corpo todo trêmulo em seus braços
vem...extasia-se com minha revelação
sinta o amor exalando de meus poros
minha respiração entrecortada
abre os botões de minha blusa e não fale nada
vem...e deita-me em seu leito morno
sussurra-me esse amor em versos
não tenha pressa, quero ouvir cada estrofe
sentir todas suas palavras
e entre elas ouvir o seu suspiro
abraca-me com ternura
mostra-me toda a emoção na sua voz
depois...deixa-me acariciar os seus cabelos
e olhando em seu rosto permita
que o silencio fale por nós






®Mary Fioratti