29 junho 2007




SEU SORRISO




Lembro-me agora...sempre foi assim
Esse seu sorriso
Ele sempre me trouxe
Aquela alegria nascida espontânea
Com uma ternura incontida
na expressão de seus olhos
Seu sorriso é incomparável
Porque é o seu sorriso
Unicamente seu
Um dia eu lhe perguntei
"O que quer que eu faça
Para fazê-lo feliz?"
E você respondeu: “Dança uma valsa comigo?”
Era noite, e o palco tão informal
Estavamos em um caramanchão
E ainda me lembro
Voce me enlaçando pela cintura
Seus olhos na penumbra
E do jeito que você sorria
Você sempre me passou uma alegria
Natural, espontânea, muito sua
Seus sentimentos eram tão seus, tão próprios
(não sei como explicar)
Quando ficávamos sentados na grama
em frente ao pôr-do-sol
Ainda me lembro da entonação de sua voz
A contar-me a historia de Fernão Capelo Gaivota
E sua sede de voar
E eu ficava perdida em seu rosto
Observando seus traços
acompanhando a expressão de seu olhar
que voava na paisagem empolgando-se com seu relato
(eu o sentia assim, como Fernão, querendo alçar o vôo mais alto)
Lembro tambem que seu olhar se transformava
Mesclando-se de tristeza
Quando contava-me historias do Campo de Treblinka
Mas de repente voltava o seu sorriso
Um sorriso de menino, um puro sorriso
Naquele momento
Meu carinho mais profundo se estampava
Em minha face
E meu coracao, estava transbordante
Talvez você nunca tenha notado
(E hoje, falo de um tempo passado)
Você foi meu primeiro amor
Aquele que me fez burlar meus próprios sentidos
e sonhar acordada com sua chegada
Escutando uma música dez vezes
Ficando perto do telefone
e ouvir voce dizer:
“Voce viu que arco-iris lindo esta lá fora?
Saindo em disparada para seu encontro
abrindo os lábios para receber seu beijo
Tudo com tanta pureza de alma!
Mas olha...hoje tudo que queria lhe dizer
É do seu sorriso
(dispersei-me em tantas lembrancas)
seu sorriso é
incomparável...


®Mary Fioratti


Meu amigo Nando me escreveu pedindo que eu fizesse um post contando como foi meu primeiro amor.
Tinha 22 anos (meio velhinha nao?).
Nao que eu nao tivesse tido namorados. Tive alguns antes dele. Mas ele foi realmente aquele que me trouxe sentimentos muito fortes e desconhecidos.
Ele era imprevisivel, e aquilo realmente me fascinava.
Fazia coisas imprevisiveis. Dizia coisas inesperadas. Tinha um lado menino, e um lado homem.
Quando terminamos, lembro que eu chorava muito e dizia para minha mae: "Nunca mais vou gostar de alguem". Minha mae sorria e dizia: "E assim mesmo filha, esquece sim"...
Talvez em um ponto, isso tenha uma certa verdade: nao amaremos mais com tamanha pureza e ingenuidade. Com tamanha intensidade.
O tempo passou, mas a lembranca dessa emocao ficou, daquele beijo dado na pracinha, quando no primeiro encontro, ele me acenou em frente do cinema, e eu na outra calcada. Fui em direcao a ele, e fomos andando e ele entao me mostrou fotos que tirou no Chile.

- Da essa foto pra mim?
- Voce quer mesmo?
- Sim, quero sim. Esta bonita.

Nessa foto ele estava sentado de perfil, olhando uma linda paisagem de montanhas.
Lembro que aquela noite, quando cheguei em casa, fiquei a olhar a foto no meu quarto, deitada na minha cama, e a pendurei na parede.

Um dia, marcamos um encontro em frente da Escola as 7 horas. Eu cheguei, e fiquei passeando para la e para ca a espera dele.
E depois de um bom tempo, (e eu ja meio "p" da vida!) ele saltou do muro da Escola e me deu o maior susto. Estava sentado la em cima a me observar...(risos).
Assim ele era: imprevisivel.

Quando tive hepatite, ele ia em casa, sentava na cadeira do quarto. Trouxe-me uma camiseta listadinha de branco e azul. Me deu um anelzinho com duas maozinhas unidas (que disse ter achado em algum lugar). Tentou me ensinar a jogar poker.
Ele era uma pessoa divertida.

Sempre gostei do modo dele andar...assim meio "gingado".

Um dia chegou em casa para me buscar, e deu um salto no meio da rua, colocando a perna para cima, para me mostrar o tenis novo, que a mae dele havia trazido dos EUA... (risos).

Uma vez, ja haviamos terminado, e fui ao cinema com meu atual marido (naquele tempo namorado) e na fila do cinema eu o vi. Estava muito frio, e ele usava um "chapeu" mais ou menos assim:
















Fiquei olhando para ele de longe, ele sempre foi meio diferente... e interiormente eu sorria para ele. Tinha um lado crianca.

O sorriso dele, realmente era incomparavel. Seus olhos eram muito expressivos.
E quando ele ria, era assim: ria e de repente ficava serio, e ensaiava uma voz mais grave. Tentava colocar seriedade no que dizia.
Nao sei porque mas embora nunca tivesse conhecido seu pai, eu sempre achei que ele parecia com ele, no modo de ser.

Uma pessoa doce, humana e uma maravilhosa lembranca.

6 comentários:

Amaral disse...

Obrigado, Mary, porque fizeste os meus olhos chorarem!
Hoje, num dia tão cheio de coisas feitas de lembranças, de tudos e de nadas, deste-me a melodia e a palavra que derramaram estas lágrimas.
O teu sorriso é o arco-iris que deslumbra o que temos de bom dentro de nós.
Por isso, vou ficar mais rico... e mais tranquilo.

Ricardo Rayol disse...

Ah as lembranças, nem sei o que diria sobre meu primeiro amor. Adorei essa estoria tão digna e a sua cara.

beleza de mulher disse...

a saudades são muitas obrigada pela recordação dos meus pais eu não os tenho mas estão sempre na minha mente beijos e bom domingo

Zé Carlos disse...

Olá amiga Mary
Seu Blog foi indicado pelo meu como um dos Blogs SETE MARAVILHAS DA BLOGOSFERA pelas qualidades com que nos presenteia, por favor leia o regulamento que acompanha a indicação.
Um abraço do Zé Carlos

Anônimo disse...

OLá Mary!
Parabéns pela tua história,
é bom as vezes,mergulhar nas lembranças...
abraço

daufen.

Paulo Bá disse...

Ola querida Mary muito legal suas palavras e sua historia de vida !! são lindas cada palavra aqui escrita por vc e lendo palavra por palavra com a musica do Richard Clayderman focou nota 1000 !! parabéns a vc e sua familia linda !! um abração do rio grande do sul - brasil cidade são gabriel .