09 março 2011



NOSSA POESIA

foi um momento
que se perdeu na eternidade dos relógios
o tempo não contado
quando sentimos nossas almas
conjugadas
suadas
juntas
como siamesas
fitando-se no escuro do quarto

não sabia mais
se minhas mãos eram minhas
ou eram as suas
elas se fundiam entre lençóis e corpos
entre travesseiros e bocas
entre pernas e bracos
numa luta de amor
cheia de desejo

nossas químicas se misturaram
e entre as fórmulas científicas
do amor eterno
formaram um halo etéreo
sobre nossos corpos
que se derretiam nas carícias
mais ousadas
naquele quarto na penumbra
com as portas fechadas

era o nosso mundo
com todos os nossos sons
era a nossa paisagem
com todos os nossos tons
brilhando no escuro estelar
e o teto como paisagem principal
(testemunha ocular)

a luz dos nossos olhos que mais pareciam faróis
nos guiavam mostrando todos os caminhos a seguir
e refletiam naquela janela
enquanto o vento soprava suave
fazendo dançar aquela cortina amarela

foi um momento .... e esgazeou-se a cortina
os faróis tão brilhantes cegaram a retina
o teto distanciou-se da nossa paisagem
e tudo tornou-se uma doce magia
quando a linguagem dos corpos
numa dança sensual
gravou em nossa alma
a nossa própria poesia


Mary Fioratti


Um comentário:

Tatiana disse...

Lindíssimo Mary...
A poesia é a sua segunda pele!

Um dia lindo para você!

Um abraço carinhoso