31 maio 2007

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A JANELA DA VIDA




Quantas reflexoes fazemos no decorrer da nossa vida!
Quantas paisagens passam pelos nossos olhos, atraves da janela da vida...

Lembrei-me agora de um fato engracado quando falei em paisagem. Aqui em casa eu sempre dirijo mais depressa. Meu marido sempre vai mais devagar, ele gosta de apreciar a paisagem, e nunca tem pressa.
Entao quando minha filha era pequena, um dia eu a ouvi falando com uma amiguinha: "quando vou com minha mae para a escola, eu nao consigo ver a paisagem. Mas quando vou com meu pai, eu vejo cada arvore, cada esquilinho". (risos).

Voltando nas paisagens...
Todos os dias vemos tantas coisas diferentes, que quase nao notamos. Que a correria nao nos deixa perceber.

Essa semana sai de bicicleta pela primeira vez, desde o verao do ano passado. E quando passei por uma pracinha, vi um velho que o ano passado estava sempre ali, andando devagar, e depois sentava no banco.
Por um instante senti-me feliz em saber que ele estava vivo. E nem ao menos o conheco. Mas apenas uma antagonia a vida.
Tantas paisagens desaparecem de nossos olhos, tantas pessoas que vemos, nao temos a certeza que iremos ve-las outra vez...nao é assim a vida?

Um dia desses estava estudando uma reacao que tenho, que nao sei se e normal ao ser humano. Ou seja, nao digo normal, mas nao sei se e algo que todo ser humano sente. Voces podem me dizer.
A sensacao que tenho de levar um tombo, leva-me diretamente a infancia. A dependencia. Talvez a primeira coisa que venha na minha cabeca seja minha mae. Porque a mae sempre esta ali para amparar o filho.
Uma sensacao de impotencia diante de algo que nao temos controle. Fico no chao, com uma sensacao de "coitada" (risos), e com uma fragilidade que desconheco em mim.

Um dia fui consertar meu carro, e fiquei esperando no lobby. Havia uma porta de vidro na frente, e sentei-me bem perto, peguei uma revista. De repente eu olhei para fora, e vi uma senhora, rastejando em direcao a porta, toda ensanguentada. Eu, que sou uma patife, de primeira categoria, levantei-me, abri a porta, e a mulher me disse: "me ajude, eu cai!". A cabeca dela estava aberta perto da testa.
Todos que estavam na sala ficaram sentados - digo todos. Impressionante como o americano tem medo de se envolver nessas coisas.
A mulher deitou, e fui no banheiro pegar umas toalhas de papel, embebi em agua e fui la limpar o sangue de sua testa.
O dono da Agencia chamou o 911 (o maximo que um americano pode fazer numa hora dessas, sinceramente). Nao estou generalizando. Sei que que existem pessoas diferentes. Mas o que tenho visto sempre, é isso.
Mas a mulher, fragil, estava ali deitada e todos olhando-a como se ela estivesse contaminada.

Ela me pedia para limpar o sangue dos olhos dela, nao podia enxergar. Fiquei ali, limpando, e pensando na fragilidade do ser humano, quando isso acontece.
E a mesma fragilidade que sentimos ao estar num leito de Hospital. Com aquele camisolao, o que somos mais do que "um ser humano", sem vaidades, sem diferenca social?
A mulher me disse que seu filho estava la dentro, deixando o carro dele. Fui chama-lo.
A coisa mais engracada quando ele chegou. Olhou a mae deitada, (nem se abaixou) e disse: "Mae, o que voce fez?" Como se a mae tivesse sido culpada de ter caido.
Ela havia escorregado.
Chegou o 911 (servico realmente espetacular nos Estados Unidos!) e num instantinho ela ja estava acomodada e medicada prontinha para ir ao Hospital.

Depois disso, um policial me chamou perguntando quem poderia ser testemunha. Todo mundo sumiu. Dei minha carteira de motorista e respondi as perguntas dele.
Naquela mulher eu me enxerguei. E se fosse eu que estivesse ali deitada? Alguem me ajudaria?

Outro sentimento que estava lembrando hoje.
A reacao de cortar o dedo. Perceberam como todos viram meio criancas quando cortam um dedo?
Outro dia meu marido na cozinha cortando uma cebola, de repente virou-se para mim: "Cortei o dedo!".. Me olhou com uma expressao que havia cortado um braco! (risos).
- Onde tem band-aid?
Fiquei olhando para ele, que segurava o dedo, olhando no sangue que saia. Naquele
momento o enxerguei-o assim como um menino de 7 anos de idade...
Por que essa sensacao que temos nessas pequenas coisas que nos acontecem, que nos fazem voltar a infancia?

Ontem conversando com uma amiga, estavamos falando que somente uma mae tem amor incondicional. So uma mae, consegue ter esse amor sem pedir nada em troca. Amor gratuito mesmo.
Por que nao podemos ser assim em relacao as pessoas? Um amor sem pedir em troca? Um amor dado assim de bandeja, de graca, sem expectativas?

Janela da vida...
Assim passam-se situacoes diante de nossos olhos todos os dias. Como se estivessemos viajando num trem. As paisagens se apresentam rapidas ou lentas diante de nossos olhos. E vamos a acompanha-las, como se estivessemos bebendo a paisagem, assimilando as coisas importantes.

Nessa minha volta de bicicleta, vi as mesmas flores nascendo, no jardim das mesmas casas... Vi brinquedos de criancas que o ano passado estavam no jardim. Vi os mesmos cachorros latindo quando passo (risos)...

O menino brincando no Parquinho (que sempre cruzo) como cresceu! Era pequenininho e agora ja estava grandinho... O ano passado a mae segurava sua maozinha. Este ano, ele ia correndo pela grama, com uma liberdade, como se dissesse: "mae, nao preciso da sua mao, posso ir sozinho!".

Nao sao assim nossos filhos?
Hoje a minha filha com quase 18 anos, olha para mim e leio em seu olhar: "Mae, nao preciso mais de voce. Estou pronta para o voo".
Quanta inocencia nesse pensamento! Ela vai precisar de mim sim, quando seu voo estiver rasante. Mas eu estarei aqui...

Hoje olhei no meu jardim, e vi a mesma flor do ano passado...
Foi presente de minha ex-chefe da Eagle. Na minha cabeca, passou-se "o filme" do dia em que ela me presenteou.



Assim é a vida. Uma sucessao de lembrancas, de emocoes, de experiencias.
E dentro de nos vamos sempre assimilando, guardando na nossa caixinha de emocoes, tudo aquilo que nos e importante.

E a janela da vida sempre nos mostra paisagens novas. Muitas vezes sao as velhas...mas tudo depende do modo que a olhamos...



Mary Fioratti

PS: Estes quadros atras de mim (de frutas e flores) foram pintados pela minha cunhada, casada com o irmao do Roque, Terezinha. A menina é uma artista! O quadro de flores parece meio torto na parede, mas é apenas o angulo da foto...
(que nada, olhei agora ta torto mesmo! risos). Vou arruma-lo!




23 comentários:

mixtu disse...

a vida será sempre uma casa com muitas janelas...
abrazo :)

Rosangela disse...

Acredita que este teu texto me fez viajar no tempo agora. Parei e cada um dos teus comentários me fez refletir sobre algo, como por exemplo a nossa sensação de fragilidade diante de um acidente ou doença. Há dois meses atrás, eu passei dias internada, tive que fazer uma cirurgia , pois quebrei aperna e me sentia tão insegura naquele lugar, só me sentia melhor no hor[ario de visita, quando via minha mãe entrar por aquela porta, afinal mãe é mãe não é mesmo;
Mas é a primeira vez que venho por aqui e olha eu falando sem parar...
Bom voltarei mais vezs...gostei muito do teu cantinho...
beijinhos e uma linda semana...

Musician disse...

Pois é minha amiga querida!
A vida passa tão rápido...e os nossos olhos e coração nem sempre reparam nas "coisas" mais importantes! Não somos perfeitos!
E compreendo perfeitamente essa situação da mulher que caiu, infelizmente não é só ai! Em todo o mundo há uma falta de carinho e de solidariedade incrivel :(
E todos precisamos de alguém, de pessoas...nao conseguimos viver sozinhos!
Gostei imenso das fotos :) Continuas maravilhosa!
Um feliz fim de semana querida e um beijo*

Roberta disse...

Oi Mary, li tudinho seu texto rsrsrsr coisa rara "preu" kkkk Mas a vida é assim, quando contou o caso da mulher caida me lembrei de quando a Bruna ficou internada para operar, sou meio nojentona kkkkkk Se vejo cabelo na pia do banheiro ou no chão vomito, pra vc ter noção da coisa, e quando a Bruna estava lá dei banho em uma mulher que estava internada e operada, até hoje penso que Deus nos dá força nesse momento. Se vc me perguntar se limpo o ferimento de alguem que não conheço,em outros tempos eu diria que não, mas depois do banho da senhora kkkkkkkk Não sei mais responder. Quanto as paisagens de nossas vidas temos que sermos sempre atenciosa mesmo, pois hoje estarão e pode ser que amanhã não. Um doce beijo da amiga Beta!

Zé Carlos disse...

Mary querida eu te adoro... obrigado por ter vindo ver se eu tinha caído... viajou centenas de quilômetros, mas voltou sorridente e feliz, e eu mais ainda !!!
Beijos...

PS: Música linda de novo....

o alquimista disse...

Sou professor de artes e...estão mesmo bem pintados os quadros...adoro o que tu escreves...e...és uma mulher muito bonita...


Doce beijo

Betty Branco Martins disse...

Querida Mary

As janelas_________como elas são importantes na nossa vida___________excelente reflexão

Os quadros são lindos

Beijnhos com carinho
BDomingo

Jéssica disse...

Delícia te ler, me sito aí na tua casa. essa do quadro torto foi demais...rs...
Doce Mary, um lindo domingo pra vc, querida. Beijosssssssssss

Saramar disse...

Mary, você existe? Eu sempre me pergunto isso, ao terminar de ler um texto ou um poema seu.
Sempre me emociono, rio e até, às vezes, uma lágrima rola por aqui, mas de emoção e de felicidade por conhecer um anjo tão especial quanto você.

Beijos, bom domingo.

Kalinka disse...

OLÁ MARY

COMO TE ADORO LER...nem imagina!!!

É bem verdade: a janela da vida sempre nos mostra paisagens novas. Muitas vezes sao as velhas...mas tudo depende do modo que a olhamos...AI, SE DEPENDE...

Se estamos num dia mais radioso, com pensamento positivo, tudo o que vimos ontem e nos parecia feio e sem importância, HOJE parece-nos belo e valioso.
Enfim, é mesmo assim o SER HUMANO.

Beijitos com carinho.

Roberta disse...

Bom e lindo diaaaaaaaaaaa!

Mary um lindo início de semana a vc!

um doce beijo, atualizei agora rsrsrs.

Sil Porto disse...

Olá querida Mary

Vim lhe deixar um beijo enorme e desejar uma linda semana de paz, luz e muito amor em seu coração.

Beijo enorme e fique com Deus.
Sil

PS: Desculpe a ausência. Notei que você encerrou seu orkut. Foi isto?
Eu também quase não tenho tempo para aquele espaço.
Ah!! A música da Enya é lindaaaaa!! Gosto demais de suas canções.

Anônimo disse...

Ola cunhadinha,
Lindo,como tudo que voce escreve.Muito gostoso,fazer esta viagem com voce..suas observacoes,divagacoes,experiencias de vida.Nao vou ficar mais enchendo sua bola nao!!!,chega.
Fiquei feliz de rever os quadros que pintei,obrigado.
Beijos
Te

Anônimo disse...

Oi Querida Mary!

Obrigada por abrir essa janela pra mim. Valeu. Aqui na California o mes de Junho e chamado "June Gloom" porque amanhece semre nublado. Mas hoje o seu "sol" veio cedinho quando olhei pela sua "janela". OBrigada querida.
Bjus,
Evie

Menina do Rio disse...

Fez-me lembrar de uma cena ano passado. saindo de cas pro trabalho junto com a mais nova que ia pro colégio, escorreguei numa tampa de esgoto no meio da rua, pois estava calçando um "allstar" e fui de bunda no chão. naquele momento, vendo minha filha ajudar-me a levantar, senti-me como uma criança indefesa e humilhada. Chorei e não foi de dor e sim, da situação de dependencia que criei naquele momento. Lendo-te aqui, voltei a olhar na janela do tempo...

beijinhos

Amaral disse...

Muito bela essa tua reflexão!
Há ocasiões na nossa vida (em todas as vidas de toda a gente...) em que a sofreguidão do dia-a-dia não nos deixa "ver" aquilo que nos cerca! É verdade! Quanta coisa nos escapa, quanta coisa foge das oportunidades que nos são enviadas!
A história da tua velhinha é, infelizmente, o que se passa nas grandes metrópoles. Nas nossas vilas e aldeias, pelo que tenho visto e sabido, a hospitalidade e o auxílio mútuo ainda existem e, esperemos, por muitos e muitos anos!
Não sei se terá a ver com o amor incondicional. Tem a ver, certamente, com a essência do ser humano. E tem a ver, com certeza também, com a "lembrança" dAquilo que somos para além desta vivência terrena.
Sabemos que, um dia, vamos olhar para trás, e vamos rever o filme que fizémos, a peça que representámos ou o jogo onde fomos personagens.
As recordações que te chegam à mente serão fruto da maturidade espiritual que a tua consciência vai adquirindo. Que bom!
A tua filha deve ter a "liberdade" de voar. Se um dia tiver algum problema nalguma asa, sabe que os pais estarão vigilantes. Mas, entretanto, a Vida é dela! Para que as oportunidades se não percam e ela as disfrute com gosto e prazer.

Wilma disse...

Olá Mary, lindo texto como sempre. Adoro janelas, principalmente quando viajo, é um deleite refletir olhando uma paisagem que passa...
A menina é uma artista mesmo, os quadros são lindos.

Roberta disse...

Bom dia! kkkkkkkkkk Não sei se sou afinada sempre espero o povo beber bastante kkkkkkkkkkkk e ganho aplusos também kkkkkkkkkkkkk se alguem fala que não foi boa a minha escolha eu respondo sempre vc que bebeu pouco kkkkkkkkk
Adoro também, mas canto por brincadeira.

beijossssssss

A.S. disse...

A vida para ti é emoção Mary!... Gosto dessa alegria de viver!!!

Deixo-te um terno beijo... com saudade!...

Tutank2 disse...

Mái Góde, ainda não conhecia este blog, foi-me sugerido e posso dizer que está um espectáculo. Tásse bem, parabéns.

Mustafa Şenalp disse...

ÇOK GÜZEL BİR SİTENİZ VAR.

El Navegante disse...

Oi Mary, minha inesquecível amiga.
Mais uma vez lo barco está navegando, a Deus gracias,
E chego até teu porto para te deijar meu grande abraço.
Olha, a janela da vida reflexa muitas cosas tudos os días, mais só con olhoS de algueM sensivel como vc, pode se olhar tudo o que vc tevo a oportunidade de viver.
Un beijao

Joel Langarika disse...

My dearest friend! sorry for not coming and post in your blog, but i`ve been busy, with some benefit parties,all may and some this month! All the benefits events are for the LGBT comunity in my homwtown and has been a success! I will keep you posted, have a wonderful night and a very nice rest of the week! Luv ya! joel