15 julho 2008



SABEDORIA DE VIDA
(Um encontro com a alma)



Hoje estava a pensar nas coincidências dessa vida. Essas coincidências que Deus fica rindo por trás porque "pensamos ser coincidências".

Uma pessoa que encontramos em nosso caminho. Um novo emprego. Uma situação que não é esperada. Mesmo uma derrota em algo nos traz alguma lição que mais tarde iremos compreender.

Tudo que acontece em nossa vida tem um proposito. Deus muitas vezes mostra a vida de uma forma diferente, nem sempre, do modo mais atrativo.

Já notaram que muitas vezes estamos pensando em alguém e essa pessoa nos liga? Ou a encontramos na rua? Ou nos escreve?

Deus misteriosamente traça nossos caminhos... e através desses caminhos dá esses maravilhosos ensinamentos que somente depois compreendemos.

Começo a entender agora melhor o mistério da vida. Sempre preocupei-me excessivamente com tudo: com a educação de minha filha, com meu emprego, com minha família, com meus amigos. Eu achava que tinha o controle de tudo, e somente eu poderia fazer o mundo feliz. E quando isso de alguma forma não acontecia, eu sofria muito. E até me culpava.
"Eu poderia ter feito isso"... "ah! se eu tivesse falado aquilo!"....

O tempo me ensinou tantas coisas! A idade vai chegando, e com ela procuramos incessantemente uma verdade interior que se pensarmos sempre esteve ali, porem não foi acordada. Queremos um alimento para a alma. Queremos passar todos esses ensinamentos.

Hoje percebo com tanta profundidade e certeza de que todos nós nessa vida estamos em um barco. Esse barco é dirigido por uma Mão Maior. E que temos que acreditar!



Confiar nas manobras desse barco. Na Mão Maior que se estende em nossa direção quando dela precisamos. Muitas vezes não entendemos por que um emprego não dá certo, ou por que aquela viagem não saiu... não percebemos a razao que não deu certo um negócio, e nos frustramos.

No entanto, as Mãos de Deus guiam nossa vida e a dirige de acordo com o que precisamos aprender. E esse aprendizado é infinito. As licoes se apresentam diariamente em nossa vida, onde temos que lidar com o contato humano, a treinar nossa humildade.

Sinto hoje, nessa mudança gradativa, uma confiança muito grande dentro de mim. Uma certeza de que nada nesse mundo pode ser mudado de acordo com nosso desejo. Que não tenho o poder de controlar tudo.

Através das lições que recebemos temos que a cada dia nos tornarmos melhores, mais confiantes.

Precisamos amar a nossa vida, acima de tudo. Perceber as pequenas coisas que se desenham em nossa volta. Sentir o mundo de uma forma única, como se hoje fosse o nosso ultimo dia de vida.

Lembro bem quando sofri um acidente de carro em 1971. Foi um acidente que me deixou uma cicatriz na testa, mas naquele dia eu poderia ter morrido. Foi depois de um baile, estava na frente do carro, e na batida, atravessei o para-brisas e fui parar fora, em cima da parte da frente do carro.
Depois daquele acidente, lembro que eu saia nas ruas e sentia uma grande felicidade por estar viva e poder novamente olhar tudo, sentir ...

Sou uma pessoa que gosta muito de sentir a vida, mas especialmente vou dizer a voces algumas coisas que tenho sentido:

- Há crianças aqui nos EUA que no tempo de verão colocam uma mesinha na calcada em frente de suas casas e vendem limonada. Para elas, se alguém para para comprar um copo, e o "acontecimento" do dia! Sempre paro para comprar, e me divirto com o comportamento delas. Vou parando o carro e uma cutuca a outra, como se dissessem: "Vamos fazer negócio!"... Então eu peco um copo...fico tomando... e elas se entreolham... Cada copinho eles cobram 10,20 ou 25 centavos. Então eu dou um gole na limonada e digo: "Nossa! isso vale muito mais que esses centavos!" E dou dois dólares e digo: "Podem ficar com o troco". Eles saem correndo para dentro de casa assim: "Mommyyyyyyyyyy!"... (risos).



- Há um caminhaozinho que vende sorvete e entra nos lugares, tocando uma musiquinha...



Adoro ver o rosto das crianças que saem de casa correndo embaladas com a musica, com um dinheirinho na mão, e com aquela expressão feliz em seus rostinhos.

- Um sorriso em um rosto de um velho....



Nesse sorriso...tantos significados. Cada ruga de seu rosto, uma história. E nesse sorriso eu leio sempre um aprendizado, como se me passasse assim um recado: "Olha...vem aqui...vou lhe contar uma historia. A vida vale a pena!"

Quando do dia para a noite...uma flor desabrocha, e vem nos mostrar que a vida recicla. Que o hoje pode não ser aquilo que esperávamos, mas o amanha sempre trará uma surpresa.

Assim nos sentimos um dia: fechados, como uma flor em botão.



E no dia seguinte, desabrochamos e nos abrimos para a vida. Como rosas vermelhas e vivas...



Nao é linda a vida? Aprendi que nessa vida tudo passa. Quando passamos por um momento ruim, devemos sempre lembrar que ele vai passar, assim como tantas coisas passaram por nos tornando-se apenas lembrancas.

Com o tempo percebemos o quanto e importante alimentarmos nossa alma. E esse desabrochar significa encarar de frente as fraquezas, aceitá-las e aprender com elas.

Enquanto lutamos contra a idade, vendo as diferencas em nosso corpo, em nosso rosto, (porque a idade nao perdoa), percebemos que o que se torna mais forte sao as nossas verdades interiores. Aquelas que com o tempo tornaram-se a forte estrura de nosso ser , e a uma certa altura parecem indestrutiveis. Elas sao alimentadas com nossa forca. Sedimentam nossa fé.

Aprender, sempre aprender com todas as pequenas licoes que temos diariamente. Enriquecer nosso interior com sabedoria, principalmente com aquelas pessoas que já viveram e que tem uma bagagem incontestável de conhecimentos.

Estava eu terminando este post, quando recebi de um amigo que é muito especial para mim esse pensamento. Eu o traduzi, e coloco-o aqui (em Ingles e Portugues). Achei muito bonito e profundo, e acho que tem a ver muito com o que sinto. Deixei em Ingles porque por mais que possamos traduzir o sentido nunca é perfeito.
Tony Snow era jornalista do Canal 3 (FOX) e foi convidado a ser o porta-voz do Bush. Afastou-se quando ficou doente e morreu recentemente. Uma grande perda, um homem brilhante.



"The art of being sick is not the same as the art of getting well. Some cancer patients recover; some don't. But the ordeal of facing your mortality and feeling your frailty sharpens your perspective about life. You appreciate little things more ferociously. You grasp the mystical power of love. You feel the gravitational pull of faith. And you realize you have received a unique gift – a field of vision others don't have about the power of hope and the limits of fear; a firm set of convictions about what really matters and what does not. You also feel obliged to share these insights – the most important of which is this: There are things far worse than illness – for instance, soullessness."
(Tony Snow)

"A arte de adoecer não é a mesma do que a arte de curar-se.
Alguns pacientes de câncer se recuperam enquanto alguns não se recuperam. Mas, o sofrimento de encarar sua mortalidade e sentir suas fraquezas aguçam sua perspectiva sobre a vida. Você passa a apreciar certas coisas pequenas de forma mais aguerrida. Você passa a entender o poder místico do amor. Você sente a forca gravitacional da sua fé. E você passa a compreender que tem um dom único - um campo de visão que outros não possuem sobre o poder da esperança e os limites do medo; uma coleção de convicções solidas sobre o que realmente tem valor e o que não tem valor algum. Você, igualmente, sente-se compelido a compactuar estas convicções, e a mais importante delas é a de que que existem coisas muito piores que a doença- por exemplo - a ausência da alma."
(Tony Snow)



Mary Fioratti



10 julho 2008


SEUS GESTOS





Detenho-me na arte
de seus gestos
cuidadosamente explícitos
delicados, meio contidos,
expressando-se no silencio
que adivinho

Na falta de palavras
suas mãos buscam as minhas
e quando você as segura
nossos dedos entrelaçam-se
todos os cantos arrematam-se
em um toque único


e quando você sorri
intuindo meu sentimento
o silêncio afaga
esse momento

Mary Fioratti


07 julho 2008


A SUA AUSENCIA



Se você chegar bem perto
poderá sentir
quanta dor há dentro do meu peito
intuindo pensamentos
absorvendo sensações
Mas você fez abaixo assinado
de distancia
fez requerimento
reconheceu firma
tentando aprovar esse projeto
Somente se esqueceu
que mesmo documentado
na lista cem vezes seu nome escrito
e em baixo assinado
com firma reconhecida
não lhe dá o direito
de mudar a rota dos meus sentimentos
com essa sua muda invasão
Cale-se! eu também me calo
engulo as palavras, e não falo
tranco-me, enquanto sofro...
Se você chegar bem perto
com seu pensamento
toque meu rosto com seus lábios
adivinha-me! que orgulho atroz!
Sei que você sabe de cór a resposta
que nasce em meus olhos
e morre com seu beijo
calando a minha voz....


Mary Fioratti

29 junho 2008



O QUE EU APRENDI HOJE?




Como disse a vocês, adoro o verão!
É um tempo que me faz reciclar, junto todas minhas energias para o inverno que chega.
Sinto-me nova.
Uma amiga me disse que a minha declaração de amor pela vida é o antídoto para todos os males.
Deve ser verdade mesmo. Porque sou feliz aos extremos, com as pequenas coisas que me acontecem.

Se vocês pensarem bem, tudo e um grande presente! Mesmo as pequenas coisas que nos são mostradas no dia a dia.

Aprendi a manejar meus pensamentos, e fazer deles sempre um alvo positivo para tudo.

Muitas vezes quando deito, começo a pensar na minha filha, ou na minha família, e esses pensamentos as vezes tornam-se preocupados com alguma lembrança. Então, sigo o exemplo que minha irmã me deu: pensar detalhadamente na cena de um filme bonito que assisti, ou lembrar num acontecimento gostoso de minha vida.
E as minhas lembranças preferidas sempre recaem no tempo que eu era jovem e assistia novelas com minha mãe na sala, nossas reuniões de Natal.

Tambem gosto de lembrar de pedacos da infancia da minha filha. E um deles era quando ela tinha 14 anos, e eu deitava com ela e ficavamos a conversar a noite. A lembranca que tenho era olhar para seu sorriso com aquele aparelhinho nos dentes.

Um dia desses eu estava a pensar sobre o destino. Sobre as coisas predestinadas, essas que dizem "serem escritas".
Acredito que com nossas atitudes, podemos influenciar nossa vida.
Através de nossa vida, Deus nos da lições. Essas lições se apresentam diante de nos com muitos "rostos" diferentes.
Pessoas que encontramos nas ruas, fatos que acontecem diariamente em nossa vida são lições constantes, mensagens camufladas.
O desafio MAIOR é saber interpretar tudo que aparece em nosso caminho.
O importante é saber que Deus não da nunca MAIS do que podemos suportar.

Acredito que as pessoas que cruzam nossa vida tem um significado especial, e trazem ensinamentos como se fossem "paginas de livros".

Vocês já sentiram uma felicidade interior por terem aprendido algo? Uma lição de vida que vai fazer uma grande diferença no nosso dia a dia?

Muitas vezes eu me senti assim. E sempre procuro passar para a frente o que aprendi. E procuro passar de uma forma subjetiva, em meus gestos, em minhas atitudes. E sempre procuro aprender com outras pessoas, um pequenino segredo para se viver. Principalmente com os velhos, que são verdadeiros livros de historias. E com as crianças, pela simplicidade. Como elas, deveríamos enxergar tudo pelo coração.

Enquanto na vida podemos crescer, e aprender, tudo vai ter um sentido.

Vou dizer a vocês agora, algo que aprendi.

Sou uma pessoa a mil por hora. Faço diversas coisas ao mesmo tempo, e enquanto estou fazendo, já estou pensando na próxima. Muitas vezes chego em casa e começo a arrumar a cozinha, enquanto passo pego os tapetes no corredor, ao mesmo tempo varro a área, enquanto lembro que tenho que ligar para alguém.
Num intervalo, eu venho aqui, e escrevo rapidamente um email para minha filha. Depois volto ao que estava fazendo.
Esses pensamentos e essas acoes passam quase todas ao mesmo tempo na minha cabeça, e também nas minhas atitudes.

Essa cirurgia que eu fiz em fevereiro, eu adiei por muito tempo. Mas nao por medo.
E sim porque eu ficava pensando em ficar parada, ou dependendo de meu marido, sem poder fazer as coisas.

No entanto, percebi nessa cirurgia a lição que Deus me ensinou: apreciar as coisas com lentidão. Olhar para o mundo de uma forma mais apreciativa, mais detalhada, em vez de tropeçar na vida.
Aprender a ser humilde, e depender dos outros.

Passei a TER que andar devagar, a fazer as coisas com mais lentidão. Isso me deu uma perspectiva tão diferente do mundo!
Comecei a perceber a minha fragilidade, e não somente a minha "fortaleza".
Entendi com mais profundidade o mundo das pessoas velhas.

É indescritível a sensação que sentimos quando estamos num Hospital. Ou quando estamos doentes. Vestindo uma roupa branca num Hospital antes de uma cirurgia, nos igualamos a todos os seres humanos. Ali não existe vaidade, mesmo porque ela não vai adiantar muita coisa. Estamos ali entregues nas mãos de Deus.

O que queria passar para vocês hoje, e o que estou sentindo. A vida é preciosa. Cheia de lições escondidas, onde temos que como um quebra-cabeças, ir juntando as pecinhas...uma aqui, outra ali...

Que possamos todos os dias achar uma pecinha nova. E no fim do dia perguntarmos a nós mesmos: "O que eu aprendi hoje?"

E você que vem aqui me visitar ... conte uma coisa que aprendeu com a vida.

Eu gostaria de aprender também!


Mary Fioratti

10 junho 2008




LEMBRANÇAS DO PRIMEIRO AMOR




O amor do meu tempo era um amor diferente...
Não era um sentimento de "ficar", era de "estar"... sem preocupações de que o amanha viria.
Não havia esse medo de envolvimento. Havia apenas o "sentir" absoluto em todas suas formas.

Tive meu primeiro namorado com 19 anos. Digo, o "real" namorado mesmo, aquele de marcar encontro, de sair, ir ao cinema, de falar ao telefone por horas.
O primeiro dia dos namorados que passamos juntos, ele veio com uma enorme caixa... dentro tinha uma flor branca (somente uma), e um vidrinho de perfume pequeno (que mais tarde soube ter sido roubado de sua tia). Valeu o roubo. O perfume era francês e inesquecível.

Com ele tive meu primeiro beijo, que na verdade, não foi tão marcante assim. Talvez porque eu não tivesse por ele um verdadeiro sentimento de um primeiro amor.

Meu primeiro amor eu tive com 21 anos.
Encontrei-o num Baile. Cabelos claros, um sorriso iluminado, aproximou-se de mim e me tirou para dançar. Eu estava com um vestido verde comprido de cetim. Lembro que ele me apelidou de "Princesa de Verde"...
Com ele tive dias sucessivos de emoções. Talvez porque dentro de mim eu o via como aquele Príncipe Encantado que temos na imaginação.
Mas ele era diferente. Muito diferente dos tradicionais. Sempre dizia frases inesperadas, e fazia a vida nada rotineira.
Muito inteligente, sensível, mas uma sensibilidade diferente. Não gostava muito de mostra-la em palavras. Mas seus gestos sempre diziam.
Foi um namoro assim de "idas" e "vindas", mas com momentos muito intensos.
Embora eu tivesse 21 anos na época, eu era muito inocente. Sempre estava a beber suas palavras e a fazer poesias. A sonhar com o próximo encontro.

Não me lembro especialmente de nenhum dia dos namorados com ele. Mas posso dizer que todos os dias que ficamos juntos foi de uma surpresa inusitada, e para mim, um sentimento único, que hoje se tornou uma bonita recordação.

Como o dia dos namorados transpira romantismo, aqui deixo duas poesias (das muitas) feitas para ele.



PRINCESA DE VERDE


Há anos luz
Nem sei contar o tempo
Talvez em duas mil luas?
Eu tive o galho mais alto
De uma árvore gigantesca
Que ficava na curva
De uma esquina
Nesse tempo
eu tive também uma rosa
Que permaneceu guardada
Naquela roseira
Que nunca foi arrancada
Mas me foi dada por você
Numa noite com luzes multicores
Fui uma princesa de verde
Quando meus sonhos
Nasciam como flores
E quando os desenganos
Nao doíam tanto
Como doem agora
Naquele tempo
Havia uma clareira
Onde nos beijávamos
Até ficarmos sem ar
Trocando juras de amor
Como se não pudéssemos
Nossa ausência suportar
Havia versos de Neruda
ao som de "Goodbye Yellow Brick Road"
cantado pelo Elton John
Houve um tempo
Que olhei com tanta angústia
O galho desta árvore
A flor naquela roseira
E a sombra da nossa clareira
Hoje a sua ausência
Tornou-se apenas um sopro
Perdido num tempo longínquo
De adolescência

®Mary Fioratti





SEU SORRISO


Lembro-me agora...sempre foi assim
Esse seu sorriso
Ele sempre me trouxe
Aquela alegria nascida espontânea
Com uma ternura incontida
na expressão de seus olhos
Seu sorriso é incomparável
Porque é o seu sorriso
Unicamente seu
Um dia eu lhe perguntei
"O que quer que eu faça
Para fazê-lo feliz?"
E você respondeu: “Dança uma valsa comigo?”
Era noite, e o palco tão informal
Estavamos em um caramanchão
E ainda me lembro
Voce me enlaçando pela cintura
Seus olhos na penumbra
E do jeito que você sorria
Você sempre me passou uma alegria
Natural, espontânea, muito sua
Seus sentimentos eram tão seus, tão próprios
(não sei como explicar)
Quando ficávamos sentados na grama
em frente ao pôr-do-sol
Ainda me lembro da entonação de sua voz
A contar-me a historia de Fernão Capelo Gaivota
E sua sede de voar
E eu ficava perdida em seu rosto
Observando seus traços
acompanhando a expressão de seu olhar
que voava na paisagem empolgando-se com seu relato
(eu o sentia assim, como Fernão, querendo alçar o vôo mais alto)
Lembro tambem que seu olhar se transformava
Mesclando-se de tristeza
Quando contava-me historias do Campo de Treblinka
Mas de repente voltava o seu sorriso
Um sorriso de menino, um puro sorriso
Naquele momento
Meu carinho mais profundo se estampava
Em minha face
E meu coracao, estava transbordante
Talvez você nunca tenha notado
(E hoje, falo de um tempo passado)
Você foi meu primeiro amor
Aquele que me fez burlar meus próprios sentidos
e sonhar acordada com sua chegada
Escutando uma música dez vezes
Ficando perto do telefone
e ouvir voce dizer:
“Voce viu que arco-iris lindo esta lá fora?
Saindo em disparada para seu encontro
abrindo os lábios para receber seu beijo
Tudo com tanta pureza de alma!
Mas olha...hoje tudo que queria lhe dizer
É do seu sorriso
(dispersei-me em tantas lembrancas)
seu sorriso é
incomparável...


®Mary Fioratti



UM FELIZ DIA DOS NAMORADOS A TODOS!

Mary Fioratti

02 junho 2008

QUANDO SUAS MAOS ME TOCAM....


Quando suas maos me tocam
minha pele se transforma
em pura seda
elas descem em meu corpo
num reconhecimento ansioso
enquanto vislumbro
o paraiso...
Gosto daquele seu olhar parado
sua expressao seria
que de repente se transforma
no mais puro extase
Quando suas maos me tocam
ouco o som do meu libido
e moldo-me em suas maos
naquele aconchegar perfeito
Voce, menino-homem
diz coisas bem baixinho
em meu ouvido
arrepia-me inteira
deita-se em meu corpo
espreguica-se, enlaca-me
ri do meu riso
espanta-se...alucina-me
conta-me historias, emociona-se
aperta-me contra seu peito
pedindo caricias cumplices
Da-me aquele olhar carinhoso
veste-me de amor
daquela maneira mais pura
e me beija na boca com desejo
quando na penumbra do quarto
invade-me com extase e ternura

®Mary Fioratti

23 maio 2008




SINTO-ME FELIZ COM O VERÃO


Ontem quando cheguei da ginastica, fiquei la fora tomando sol. Depois de tanto tempo de frio, o sol parece algo magico, que nao somente aquece nosso corpo, mas entra na nossa alma.

Segunda-feira, dia 26 de maio, é a chegada oficial do verao. Dia do Memorial Day, que é dedicado aqueles que morreram na Guerra. Na verdade, esse dia é como Finados no Brasil, pois muitos vão colocar flores em tumulos da familia.

Nesse dia tambem é a abertura oficial das piscinas. O verao oficialmente comeca dia 21 de junho. Mas no Memorial Day é "considerado" o dia Oficial.

Nesse dia é uma verdadeira alegria aqui nos EUA. As familias se reunem para fazer churrasco, a gente ve todo mundo fora de casa, andando pelas ruas, de bicicleta, a pé, uma tremenda liberdade.

As flores comecam a surgir, é impressionante como da noite para o dia tudo floresce.

Ontem fiquei no meu jardim, sentindo uma felicidade tao grande de poder respirar esse verao, de estar livre, podendo andar sem estar encapotada.

Este ano quero comprar uma mesinha para a nossa area, para podermos curtir nossas refeicoes ao ar livre.
Nos finais de tarde comecamos a sentir aquele cheiro de churrasco pelo Condominio. Quase todos tem na sua area uma churrasqueira.

Domingo passado resolvi fazer uma caminhada e "testar" meu joelho novo. Ainda sinto certa dor ao andar. Mas mesmo assim, o dia estava irresistivel. Aquele calorzinho gostoso... Entao consegui fotografar algumas flores:





Preciso arrumar minha bicicleta para poder dar minhas voltas com minha maquina na mao, tirando aquelas fotos imprevisiveis que adoro tirar.

Ontem fiquei no meu jardim, olhando minhas plantas... Essa é aquela arvorezinha que meu marido plantou... como ela cresceu! Parece ate um milagre que as plantas possam crescer com tanto tempo de inverno.



Vejam os patinhos que ja sairam da sua "toca".... alguns na agua, e um sol gostoso de se curtir...



Nao faz muito tempo atras, a paisagem era essa:



Vejam agora a mesma paisagem no verão:



Sinto-me renascer nessa epoca.
Ainda vou tirar muitas fotos para que voces possam ver a beleza dessa estação.

Mary Fioratti

20 maio 2008



JÁ NÃO SE FAZEM EMOÇÕES COMO ANTIGAMENTE



Tenho me emocionado muito em relembrar os Bee Gees.
Que tempo maravilhoso aquele, quando iamos a bailes, e dancavamos ao som de suas musicas.
Que emocão tenho sentido ao revive-los...
Aquele tempo mexia com todas as emocoes... era quele misterio que viamos nos olhos e tentavamos decifrar.
Era a alma que falava no mais profundo de nos...
Aquele amor que nao era decifrado, mas sentido. Era o olhar que derramava ternura....
Era o imaginar do beijo...o sonhar ...
Uma inocencia que tecia ternuras...
Os bailes com luz negra.... o coracao a bater descompassado a imaginar-se nos bracos daquele que de longe, se emoldurava como uma pura emocao.
De repente nos viamos na multidao...abracados a dancar lento. Os rostos quase se tocando, o coracao descompassado.... aquela mao a passear por nossas costas causando arrepios....
Os olhos que se procuravam e diziam mais do que qualquer palavra poderia dizer.....
As maos eroticamente se tocavam, a espera do dia seguinte, do telefone tocar...
Tudo tao magico...
Os sonhos... como era maravilhoso deitar a noite e ficar a imaginar o amor...
No escurinho do cinema, fechar os olhos ao beijar, tremer de emocao com o toque.
Descobrir a lingua, o cheiro, o toque. Mas tudo de uma forma quase "inocente"... deixando fluir a sensualidade.

Quando eles cantam, no telao do fundo, vai aparecendo fotos deles com a familia.
Li um dia desses que esse que toca piano de chapeu (Maurice Gibbs) ja morreu.

Aqui vai a traducao da musica:

HOW DEEP IS YOUR LOVE
(Bee Gees)

Como é profundo seu amor

Eu vejo nos seus olhos uma manhã ensolarada,
eu sinto você me tocando ao derramar da chuva,
e no momento que você está longe de mim,
só quero você em meus braços de novo.

E você aparece para mim numa brisa de verão,
me mantém aquecido com o seu amor, mas de repente você vai embora,
é pra mim que você deve mostrar o quanto é profundo o seu amor.

Qual a profundidade do seu amor?
eu realmente quero saber!
porque nós vivemos num mundo de tolos,
que nos destroem, quando deveriam nos deixar viver,
nós pertencemos, eu a você e você a mim.

Eu acredito em você,
você conhece a porta para minha alma,
você é minha luz nas horas de profunda escuridão,
você é minha salvação quando eu caio.

E você pode pensar que eu não me importo com você,
quando você sabe que lá dentro eu realmente me importo,
e é pra mim que você deve mostrar o quanto é pronfundo o seu amor.

E você aparece para mim numa brisa de verão,
me mantém aquecido com o seu amor, mas de repente você vai embora,
é pra mim que você deve mostrar o quanto é profundo o seu amor.


Lendo sobre os Bee Gees fiquei a relembrar meu tempo de adolescencia... Aqui vai uma foto daquele tempo.



Ja nao se fazem mais emocoes como antigamente....

Mary Fioratti

16 maio 2008



QUADRO DA SAUDADE



Delineia-se a tarde vagarosa
rabiscando seus olhos lentamente
na paisagem dos meus sonhos
Nesse momento tudo que quero
é a sua mão em meu rosto
em um gesto terno de caricia
Ouvir sua voz em meus ouvidos
seu riso...sua calma
Eis-me aqui tao sua
entregue aos meus pensamentos
levando-os a voce num sopro
atraves do vento
Seja hoje o artista
e com as tintas de seu amor
pincela o meu corpo
apaga aos poucos a realidade
misture-as vagarosamente...
quero olhar seu rosto
enquanto voce desenha em meu corpo
o quadro da sua saudade


Mary Fioratti

09 maio 2008


(Minha mae, eu e minha irma Maria Lucia)




OS DIVERSOS ROSTOS DE UMA MAE




Com o passar do tempo, quando ficamos mais adultos, percebemos que o modo que enxergamos nossa mae muda atraves dos anos.
Quando pequenos, o rosto de nossa mae nao tem formas, e a enxergamos sempre com os bracos estendidos. E uma imagem como se ela nao tivesse um rosto, mas apenas a bondade estampada em gestos.
Aquelas maos que nos seguram quando caimos. E que nos envolve numa nuvem de amor constante. O sorriso tambem guardamos, como se fosse um remedio para todos nossos males.
Eh o nome que chamamos interiormente quando qualquer coisa nos acontece. Como se falar “Mae!” fosse um balsamo que curasse qualquer ferida.

Com a idade, nossa mae vem na nossa lembranca de uma forma muito mais madura, e passamos a entende-la tao melhor. Pena que quando acontece esse entendimento, muitos nao tem sua mae perto para expressar os sentimentos. E assim eu me sinto hoje.

Minha mae sempre foi o espelho da mulher bonita. Sempre muito arrumada, cabelo impecavel, o batonzinho, colar, perfumadinha, como se fosse sair de casa. Po de arroz Raquel, leite de colonia, creme Nivea, perfume Charly... Posso enxergar seus pes bem feitos, dentro de uma sandalinha branca. Sua mao bonita, transpirava carinho.

Delicada. Romantica. Famosa por suas risadas que ecoavam toda a casa quando achava algo engracado. Seu espirro exagerado.

Herdei as receitas de seu bolo de batatas, sua couve flor ao molho branco, seu pimentao recheado. Seu feijao com uma colherinha de maizena (para dar consistencia ao caldo). Xuxu com ovo no forno. Seu arroz doce, manjar branco...
Lembro-me tao bem que eu a ajudava a fazer o manjar branco com puro coco natural, ficava na cozinha ajudando-a a expremer o caldo num pano de prato....

Muitas vezes eu a acompanhava no Bazar Estrela para comprar novelos de la para fazer seus casaquinhos de crianca. Ou mesmo meus coletinhos de inverno. Tive uma colecao!

Sempre assistiamos as novelas e choravamos juntas. Minha mae era o idolo de nossas amigas que vinham sempre contar seus problemas.

Lembro de minha mae muitas vezes, em pequenas coisas que faco, ou em situacoes que
Pareco viver o que ela viveu.

Abaixo vai uma poesia que fiz para ela o ano passado.

Feliz dia das Maes, mamae! Com certeza voce esta a nos espiar ai de cima, e a sorrir para
Cada um de nos.



(Minha mae, e minha filha Patricia em 1989)



PARA MINHA MAE

O tempo encurta distâncias do pensamento
Quando penso em você mãe
As lembranças começam em Ubatuba
Quando você andava com a gente
Na beira da praia
Todos nos descalços
Nus de vaidades, ou qualquer outro sentimentos
Éramos crianças
E a seguíamos sem saber para onde íamos
Molhando nossos pés na água
(e na verdade nem nos importava)

Sua beleza sempre transcendia
Na figura bem talhada, de seus olhos sombreados
Seu cabelo impecável, seu batonzinho diário
O colarzinho sempre a enfeitar o pescoço
O andar lento e gracioso
Sempre reparei em seus pés bem feitos
E em suas mãos bonitas

Ligava-me todos os dias no trabalho
Mesmo eu saindo de casa cedo
E morando em casa
Você me ligava, mãe
Para perguntar se eu estava bem
E eu lembro que isso me incomodava
Na época eu pensava: “por que ela me liga todos os dias”?

(vejo-me hoje nas atitudes de minha filha, esse meu eu refletido)

Ah! se eu pudesse hoje no meu trabalho
Receber seu telefonema diário
Ouvir a sua voz tão querida a me perguntar
Se estou bem
Eu iria parar tudo que estivesse fazendo
Eu teria tantas coisas para lhe dizer
Tantos pensamentos íntimos, tantas coisas para repartir com você

Hoje o telefone toca, mas não ouço sua voz
Não mais ouço sua voz falando meu nome
Como queria ouvi-la hoje mãe!
Perguntar se estou bem
Eu iria parar tudo que estivesse fazendo

Eu teria tantas coisas para lhe dizer
Tantos pensamentos intimos, tantas coisas para repartir com voce
Hoje o telefone toca, mas nao ouco sua voz
Nao mais ouco sua voz falando meu nome
Como queria ouvi-la hoje mae!

No entanto e assim o ciclo da vida
Entendemos tudo tão tarde
Os sentimentos se afloram e amadurecem
E nos tornamos mais verdadeiros
Percebe dores de nossa essência

Daria tudo hoje para ter somente por um momento
Aqueles nossos momentos de intimidade
Você sentada no sofá, minha cabeça em seu colo
Nos duas chorando juntas com o final da novela

Lembro bem hoje que às vezes me incomodava
Você entrar em meu quarto
Sentava-se quieta a me observar, depois me perguntava algo
Um dia, ouvindo a musica “A Atriz” cantada pelo Roberto
Voce comecou a chorar
Perguntei por que voce chorava
E voce disse: “Tao romantico!”

Queria que hoje você pudesse entrar no meu quarto
Com aquele seu sorriso incomparável
Dar-lhe um abraço interminável

Que pena mãe! Que a gente compreende tudo tão tarde
Que valorizamos momentos, situações
E que elas passam na nossa cabeça como um filme diário
Quando enfrentamos os mesmos problemas com nossos filhos
Nesses momentos eu chego a compreender tão bem
Tudo que você sentia

Hoje e seu dia, e todos homenageiam suas maes
Muitos a terao a felicidade de te-las em sua mesa de almoco
Ou mesmo ouvir pelo telefone sua voz

No entanto eu tenho minhas lembranças
Em álbuns de fotografias
Onde seu sorriso (e tambem seu olhar triste)
Estampa-se no frio do papel
Em cartas que você me escreveu
Um filme em que voce aparece...

E vejo você hoje mãe, através de meus atos
E enxergo-a tao bem, através de minha alma

Mary Fioratti

07 maio 2008


UM CALMO AMOR



Ha sentimentos que sao unicos por sua especialidade. Este é um sentimento especial, e o mais importante da minha vida.
Deixando de lado os sonhos, esse é um sentimento REAL, que me coloca na perspectiva de GENTE e PESSOA HUMANA.

Há 28 anos estamos juntos (faremos 29 este ano), com mais 5 anos de namoro, quase 35 anos...
Viver com uma pessoa esse tempo todo é um "challenge"...

Se eu for colocar todos os momentos felizes que passamos, daria muitos livros...com muitas paginas...
Se eu for explicar como ele me faz feliz com sua paciencia, carinho, entendimento, eu precisaria de muitas palavras.

Nessa cirurgia que tive (assim como em todos os momentos de minha vida) ele estava ao meu lado, de um modo silencioso, sem alardes, dando-me aquela seguranca e aquele equilibrio tao necessario. Com seu carinho infinito, cobre-me de amor e verdades.

Sempre entendeu meu lado poeta, sempre me apoiou em absolutamente TUDO que eu quis fazer, ele me ve como uma pessoa "individual", embora sejamos um CASAL.

Temos um entendimento pleno um do outro. Ele gosta de solidao. Eu gosto de barulho, de gente, de movimento.

Entao, de vez em quando mergulho em sua solidao. E outras vezes, ele se mistura no barulho de minha vida.

Ele nao mostra suas emocoes. Eu sou pura emocao.

Decido algo em um minuto. Ele pensa, pondera, estuda, ve os diversos angulos, analisa e decide.

De vez em quando eu sinto que ele me observa. E nesses momentos vejo que ele tira um pouco da minha alegria para si proprio.

Com ele aprendi a ser uma profissional. O que mais admiro nele, é que ele nao forca. Nem se acha o dono da razao. Aprende com a experiencia com os mais velhos. Fala sempre de um modo pausado, e adora pegar um papel e desenhar, exemplificando seus pensamentos.

Dos 35 anos que estamos juntos, nunca levantou a voz. Sempre se caracteriza pela docilidade, e pelo entendimento. Manso e terno.

Penso no HOJE. Ele pensa no FUTURO. Nossos pensamentos sempre entram em choque nesse ponto. E ele acaba vivendo um pouco o presente, e eu... pensando um pouco no futuro.

Para ele eu fiz essa poesia. Quando ele leu disse: "Eu vou guarda-la com muito carinho, pois ela retrata muito nós dois"...

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ESSE CALMO AMOR

Tantos anos juntos
Repartindo nossas vidas
Somos dois barcos
Que navegam no mesmo oceano
Sobre diferentes ondas

Minhas ondas são altas e perigosas
Subo com meu barco em alto mar
Furo as ondas ... rio alto
Bato a cabeça nas pedras
Quero emoção!

Suas ondas são baixas e estáveis
Voce navega com seu barco
Olha direto para o horizonte
Paisagem sem mudanças
Planeja sua rota
Foge das ondas
Quer a razao!

Assim somos nós
Dois diferentes barcos
Em um mesmo oceano
De vez em quando
Você me acena de longe
Mostrando que está ali
quando eu precisar

Voce assiste de longe
A minha busca
Com seu jeito sereno
E eu vou, ando, corro, volto
Mas meu porto de chegada
É sempre seu aceno

Você é minha rocha
Meu lugar seguro
Meu porto
Meu destino

Eu sou sua ilha
A parada para descanso
O oásis necessário
Seu desatino



Mary Fioratti




ESTA FOTO ESTAVAMOS ESPERANDO PARA ALMOCAR NO RESTAURANTE OLIVE GARDEN, PARA COMEMORAR NOSSO ANIVERSARIO (ANO 2000 - 50 ANOS). NASCEMOS NO MESMO DIA, MES E ANO.

30 abril 2008




FALANDO EM FELICIDADE



Quanto tempo não sento para escrever. Nao sei se voces ja sentiram isso. Mas uma falta total de inspiracão.
Embora muitas coisas se passem pela minha cabeca, pensamentos diarios, sentimentos profundos, fortes, parece que nao consigo colocar no papel o que vai dentro de mim.
Sao fases na vida da gente que parece que perduram.

Toda vez que passamos por uma cirurgia ou algo semelhante, apodera-se da gente um total sentimento de fragilidade. Como se o mundo estivesse indo todo devagar, como um filme em camera lenta.
Eu, que sempre atropelei a vida, me vi de repente como se sentada em frente de uma janela vendo o dia a dia.

Nisso teve a parte boa: percebi muitas coisas que não havia percebido.
Sempre vi aquelas pessoas mais velhas aqui no Supermercado naqueles carrinhos eletricos, que o próprio lugar oferece. E nunca imaginei que fosse algo tao prático.



E interessante é pensar que ha tantas pessoas que dependem disso para a vida toda. Nunca poderão andar.
Ali naquele carrinho, eu enxergava a praticidade dele, mas sabia que seria provisório.

Ser feliz, depende de nos mesmos. Se não colocarmos nossa cabeca para funcionar de um modo efetivo e positivo de nada adianta tudo que tentarmos.

As vezes, quando baixa aquela tristeza que eu não sei de onde e que é dificil analisar o que sinto, uma coisa que sempre faco: pego uma folha de papel e anoto todas as coisas boas que tenho e as minimas coisas que me dão felicidade. Então vejo quantas coisas tenho na vida a agradecer. Nas tristes eu procuro nem pensar.

Um dia desses achei algo escrito, muito bonito:

"Assopre o pensamento triste,
Deixe escorrer a última lágrima, conte até vinte.
Abra então a janela, aquela que dá para o vôo dos pardais,
Procure a luz que pisca lá na frente(evite as sombras que ficaram lá para trás).
Ao encontrá-la, coloque-a dentro do peito,
De tal jeito, que possa ser notada do lado de fora;
Acrescente agora uma pitada de poesia,
Do tipo que passa por nós todos os dias, e nem sequer consegue ser notada;
Aumente o brilho, com toda a intensidade de que um sorriso é capaz.
A felicidade é o seu limite,
E o paraíso é você mesma quem faz.

Flora Figueiredo"

Existem tantas receitas da FELICIDADE...muitas parecem tao complexas. No entanto, onde encontramos alegria, são nas coisas mais simples. Nos momentos mais comuns.
Aqueles que somente damos valor quando surge uma doenca, ou um problema relativamente serio.

Voces ja notaram que ha certos dias que levantamos e que tudo a nossa volta parece estar certinho? O rosto no espelho reflete alegria. Nos sentimos bonitos. Cantarolamos no chuveiro.
Parece que nada nos aborrece. A mesma paisagem de todos os dias, tem uma cor diferente. Paramos para perceber coisas que nao percebiamos.
Por que de tudo isso? Simplesmente é a nossa cabeca. O modo que ela funcionou aquele dia. E dentro de nos queremos que aquela sensacão perdure para sempre.

Felicidade...a tao falada Felicidade. Aquela que todos querem. Que dinheiro nenhum compra.

Deixo aqui uma poesia que fiz ha tempos, mas que revela um pouco do "Ser Feliz"....


(Pintura feita por Edna Feitosa - Seu site: http://ilove.terra.com.br/edna/)

Dias iguais
tão corridos
os meus dias...
Dias que loucamente
atropelam
minhas idéias
sufocam
meus desejos
limitam
minha criatividade
Se fossem lentos
seriam terríveis
se são corridos
são sufocantes
Quero uma lei
que faça os dias
nem lentos
nem corridos
para que eu possa
ser feliz
(serei feliz?)

* * *

O verão esta chegando. E com ele vem uma alegria natural dos dias. O sol, o calor, o poder pisar no chao descalça, o contato com a natureza. A leveza da roupa. Os dias que se prolongam.

Ontem tirei uma foto da primeira árvore que floresceu em frente da minha varanda. E deixo para voces de presente.


Um grande beijo a voces, meus leitores assiduos. Sinto falta de voces, sabia? Dos comentários, das palavras, da interação. Muito do meu mundo está aqui e o reparto com voces de uma forma muito transparente.
Agradeço cada comentário, cada palavra que voces me deixam. Fico feliz. Estão vendo? Isso tambem é FELICIDADE.



Mary Fioratti

PS: Aproveito para dizer que minha recuperação vai indo muito bem. Já não sinto dor.
O joelho ainda está rigido, mas aos poucos noto melhoras. Nunca levei tão a sério algo como essa fisioterapia.
Hoje faz dois meses e 5 dias. De acordo com o médico eu estaria andando normalmente de 3 a 4 meses.
O que estou aprendendo é exercitar minha paciência. E estou conseguindo.
Estou apenas com muita, mas muita saudade de meus velhinhos...



A vida é uma linda borboleta, que brilha todos os dias diante de nossos olhos. Muitas vezes apenas admiramos seu brilho a distancia... outras vezes conseguimos pegá -la com nossas mãos....









02 abril 2008



APRENDENDO A CAMINHAR



Estou com muitas saudades. Saudades de estar aqui com voces. Do entrosamento. Da conversa. Do dia a dia.
Pareco estar vivendo uma época assim "fora do espaco", como se eu estivesse aprendendo de novo, a viver.
Aprendendo a caminhar, mas nao no sentido de "andar", mas do caminhar lento. De um modo geral.
Tenho que me sentir feliz, e realizada, por minha operação ter dado certo.
Mas o que tem sido extremamente dificil para mim é estar aprendendo a caminhar devagar, em todos os sentidos.
Sou uma pessoa extremamente ligada, energética.
Tudo que eu fazia (muitas vezes duas ou tres coisas ao mesmo tempo) reduziu-se em uma coisa por vez, como se eu estivesse amarrada.
As primeiras duas semanas da cirurgia, eu fiquei em casa, deitadinha no sofa, assistindo TV, recebendo a visita de meus amigos, do fisioterapeuta, da enfermeira, com o carinho especial de meu marido, que teve (e tem!) uma paciencia e um amor ilimitado.

Depois da segunda semana, resolvi voltar ao trabalho, mesmo com a muleta, trabalho somente meio periodo, entao nao seria tao desgastante.
O primeiro dia que fui, quando vim para casa chorei. Nao sei explicar a sensacao, mas parece que tudo se torna um tremendo sacrificio. Assim mesmo preferi trabalhar, do que ficar em casa, e pensando.
Comecei a fisioterapia fora de casa. No primeiro dia, depois de 1 hora intensa de exercicios, entrei no carro e choreeeeeeeei.
Uma instabilidade emocional muito grande, embora o problema nao tenha sido tao grande.
Tudo cai em cima de uma forma muito "direta". A gente parece sentir pena da gente...eu heim? Detesto essa sensacao.

Tentava vir aqui, escrever, e nao conseguia, os pensamentos pareciam nao se coordenar. Estava dispersa.
Vinha da terapia e sentava na frente da TV comendo chocolate (risos). Isso era a unica coisa que me fazia sentir melhor (e ainda faz). Engordei uns quilinhos, mas o que importa?

Dormir...um pesadelo! Nao ha como se acomodar. E um tal de vira, senta, desvira, levanta, senta, deita. Nem com remedio.

Hoje depois de um mes e tanto, sinto-me mais no encontro comigo mesma. Ja fiquei mais forte (pelo menos de espirito), ja me acostumei com minha muleta, de descer as escadas um degrau de cada vez.

O joelho e uma parte dificil de ser recuperada, devido a falta de irrigação de sangue no local. Alem do mais, explicacao do fisioterapeuta, quando se coloca algo dentro do organismo, ha uma auto-proteção do mesmo, o joelho por exemplo, incha, num sinal de proteger. Entao e preciso, atraves da terapia, estar dizendo ao joelho: "olha, esta tudo bem, eu coloquei isso ai, aceita, vai!" (risos).

Tirei radiografia e o implante ficou perfeito. Sei que vou ter uma qualidade de vida bem melhor do que antes. Nao vejo a hora de chegar o verão , e poder andar, nadar, e voltar a andar de bicicleta. Ultimamente, so sou permitida a usar a bicicleta do Clube, aquela que fica paradona....nao tem graca, ne?

Ha momentos na vida da gente que pensamos que nunca mais voltaremos a ser os mesmos. E interessante essa sensação. Aprendemos entao a caminhar lentamente, olhar as coisas com mais atenção, perceber nossos passos.

E sei que logo voltarei a ser a pessoa que eu era. E que isso pelo que eu passei nao e absolutamente NADA perto de outras coisas que existem.

Agradeco a voces por todos os comentários cheios de carinho. Voces sentem a minha falta? Acreditem, sinto muito a de voces tambem!


Um beijo carinhoso


Mary Fioratti

13 março 2008




Pensando bem, nao ha separacao tao eloquente do mundo virtual com o real. Conhecemos tantas pessoas que parece que ja fazem parte da nossa vida ha tanto tempo! Nao e assim?
Tenho o maior carinho e amor por voces, meus leitores queridos.

Ultimamente, alem da terapia, dos exercicios, e de tanta coisa que tenho que fazer, nao tenho tido muito tempo para minha familia, para mim, nem ao menos para comentar meus amigos blogueiros, que gosto tanto!

Vou dar uma paradinha no meu Blog, nao sei por quanto tempo.

Estou precisando de um tempo para mim.

E a voces, que sempre vem aqui me visitar, deixo o meu beijo, o meu abraco carinhoso. E agradeco do fundo do coracao, por partilharem de minha vida.


Um beijo


Mary Fioratti




VOLTANDO AO TRABALHO



Na verdade nao pensei que seria tao rapido.
Mas estava eu aqui em casa e pensei: "vou dirigir ate o Supermercado". E fui.
Que sensacao mais gostosa temos quando nao fazemos algo (tao simples!) ha algum tempo, e de repente comecamos a fazer.
Simples coisas como: entrar no carro, dar a partida...movimentar.
Fui no Supermercado e foi dificil. Doia muito a cada passo. E pensei: "Que doa! vou andar".
Encontrei um amigo meu que ha muito nao via. Conversamos. Ele me convidou para tomar um cafe. Fomos tomar um cafe, e aquele meu dia ja nao me pareceu tao comum. Os amigos sempre nos mostram algo diferente.
Voltei para casa, e encontrei um email da minha chefe: "Maria, voce ja pode trabalhar?"
Nao pensei duas vezes. E respondi: "SIM!".
Ontem foi meu primeiro dia, depois da operacao. Adorei ter ido! Me fez sentir tao bem.
Afinal, dor por dor, que continue doendo e eu trabalhando.
O medico que me operou (ortopedista) disse que uma das mais dolorosas cirurgias é a do joelho.
O dificil mesmo é dormir. Nao ha posicao que doa menos.
Enfim, estou indo...na metade do caminho, muito ainda a seguir. Mas ja fiquei contente de ter dado esse passo de ter ido trabalhar.
Aos poucos tudo vai e encaixando.
O que mais me alivia, eh que deixei por tanto tempo essa cirurgia por fazer. E agora somente pensar que "esta feita", ja é um alivio.
Espero vir aqui futuramente falar de outra coisa sem ser: JOELHO!

Beijos a todos.
Obrigada por cada comentario, e por estarem comigo.

Mary Fioratti

09 março 2008

R E A P R E E N D E N D O









Toda a vez que passamos por um processo cirurgico, existe a fase do "reaprender", a fase de adaptacao para tudo.
No comeco tudo parece tao dificil (e impossivel). Cheguei a ter saudade do meu "joelho velho"..(risos).
E preciso ter muita determinacao, muita forca, muita coragem, muito otimismo, muita fe, e olhar sempre em frente.
Sempre fui uma pessoa muito independente. Em tudo. E antes dessa cirurgia, quando pensava que iria depender de alguem (meu marido), ou fisioterapeutas, ou sei la quem fosse, eu me sentia muito ansiosa.
No entanto, temos que entender que as simples paradas em nossa vida, tem uma razao de ser. Deus nos ensina tanta coisa atraves de fatos simples do dia a dia.
E exercita nossa paciencia tantas vezes sem que ao menos percebamos.

Lidando com meus velhinhos, tive tantas vezes diante de meus olhos situacoes como essa que estou passando: dificuldade de levantar da cama sozinha, andar com dificuldade, mesmo tomar banho passa a ser uma aventura.
Mas nao existe melhor sensacao quando vemos que conseguimos fazer (mesmo com dificuldade).

Existem sensacoes que temos todos os dias em nossa vida normal, e nao percebemos o quanto elas sao vitais e importantes:

1) A boa sensacao depois de um banho, com uma roupa limpa, um cheiro de sabonete, um cabelo lavado, um creme no corpo.
2) A sensacao confortante de poder deitar sozinha, cobrir-se sozinha, e dormir o sono dos justos...
3) A liberdade de "ir e vir", sair a hora que temos vontade, sem que dependamos de ninguem.
4) Comer uma boa refeicao. Tomar um cafe quentinho.

No entanto esse tempo tem me feito pensar e ver quantas bencaos tenho em minha vida.



No comeco, eu tinha que colocar minha perna deste jeito no sofa, pois nao tinha forca suficiente para levanta-la:


Aprender a vestir a meia atraves de uma protese de plastico. Veste-se a meia nela, e depois, na gente.




Aprender a pegar as coisas do chao com um "pegadorzinho" especial.


Coisas tao simples que fazemos sem pensar, de um modo automatico, passam a ser monitoradas, pensadas.
Hoje o meu fisioterapeuta pediu que eu andasse. Andei e ele disse: "Voce esta puxando a perna. Tem que andar sem puxar a perna" "Dobre o joelho". "Fique ereta".

Tudo eu alcanco sorrindo. Jamais deixo de sorrir, mesmo na minha maior dor.

Uma atitude positiva, sempre nos leva a uma acao positiva. A um caminho positivo.

Muitas vezes a dor desanima. Hoje esta sendo essa dor na minha perna. Mas ha tantas outras dores que no dia a dia enfrentamos.

Dores da alma.
Dores da existencia.

E uma coisa eu aprendi. TUDO PASSA. E os momentos vao se tornando "passado" tao rapidamente que quando nos damos conta, eles estao la atras. Bem longe.
E entao olhamos para frente. E o caminho ainda eh bonito e cheio de flores.



E ha algo que nos ajuda sobremaneira a passar por todas as dificuldades de nossa vida: sao os nossos AMIGOS.
Eles nos mostram sempre um lado bonito, nos impulsionam, e suas palavras ternas sao como maos estendidas que nos ajudam na caminhada.

Hoje recebi a visita de um deles. Dena. Essa menina cuida do meu cabelo desde que cheguei em Cincinnati. E tornou-se uma grande amiga.



E obrigada a todos voces que vem aqui me visitar, deixando sempre palavras de carinho e amizade. Logo que puder, eu volto, colocando meu dia a dia. E ainda quero continuar com meus velhinhos.


Mary Fioratti







29 fevereiro 2008





ESTOU DE VOLTA



Aqui estou eu, de volta a vida.
Impressionante com o tempo passa depressa!
Estou nesse momento sentada na minha sala de TV, um escurinho gostoso, TV ligada, um abajour de canto, a figura de meu marido sentado no sofa, e eu aqui ao lado, na "cadeira do papai", que hoje é a "cadeira da mamae"...(risos)

Felizmente minha cirurgia foi um sucesso, como eu sabia interiormente que seria. Isso porque eu tenho uma grande forca interior, e sempre pensamentos positivos. Isso faz uma grande diferenca!

Logicamente que passa em nossa cabeca a possibilidade de algo dar errado. E na verdade o unico medo que eu tinha seria se algo acontecesse comigo e eu deixasse minha filha.
Nao é somente uma cirurgia que e arriscado, mas a vida em si. Pode acontecer a qualquer minuto, em qualquer hora, a qualquer dia.

Tudo foi muito perfeito! Ja estou andando perfeitamente, (com andador e muletas)e com tudo em casa adaptado para essas duas semanas iniciais.

Estar num Hospital nos faz repensar muito na vida. Agradeci cada um que entrou em meu quarto, com uma palavra de conforto, ou mesmo cumprindo sua missao de um modo mais profissional.

Deitada naquela sala de cirurgia, eu estava calma e certa de que tudo sairia perfeito. E assim foi!

Obrigada por todos que estiveram comigo em pensamento.


Um beijo carinhoso

Mary Fioratti

25 fevereiro 2008



MEUS QUERIDOS AMIGOS

Gostaria de avisa-los que a partir de hoje estarei ausente por algumas semanas. Alias, ja nem tenho publicado, pois estou numa correria!
Amanha vou me submeter a uma cirurgia do joelho, (knee replacement) e vou estar fora algumas semanas.

Deixo aqui meu abraco apertado a cada um dos meus amigos.
Peco desculpas aos meus leitores por ultimamente nao estar postando, e tambem aos meus amigos blogueiros por nao estar visitando voces.
Quando voltar, se Deus quiser, farei uma visita a cada um.

Um beijo carinhoso


Mary Fioratti

08 fevereiro 2008



CAMINHANDO COM MEUS VELHINHOS




Um dia chegaremos lá. E eu espero estar com uma cabeça boa, sorrindo para a vida, e para todos em minha volta.
Não quero tristezas, nem recordaçoes que nao valham a pena. Quero olhar para trás sem arrependimentos, e olhar tudo de bom que eu fiz.
Trabalhar com esses velhinhos tem me feito tão bem! Quando entro naquele lugar, me sinto movida pelo meu coração. Algo aqui dentro de mim se move. Muda. Recicla.
Meus olhos se deitam em tudo de uma forma completamente diferente. Nao sei explicar. Mas um grande sentimento se apossa de meu coração. Passo a sentir mais, de uma forma absoluta.

Ontem foi a festinha de aniversario do mes. Gosto tanto desse dia, porque a maioria dos velhinhos que nao saem do quarto, vao para o restaurante. Vem um pianista tocar musicas, e de repente todos viram um pouco crianças... a gente nota o pé batendo no chão, e o olhar sonhador, com alguma lembrança do passado.
Comem bolo como crianças, seguram o copo de suco como minha filha segurava quando era pequena. Como se o mundo inteiro se resumisse naquele pedaço de bolo, e aquele suco. Alguns dormem na mesa, pelos remédios, ou mesmo pelo cansaço. Mas querem participar.
Nessa foto, voces podem ver mais ou menos o ambiente.



Este homem de camisa branca e bonézinho, é aquele cego que falei dele no meu post há tempos atrás. Impressionante como este homem dá uma injeção de otimismo. Sempre sorrindo, de bom humor, de bem com a vida, como se enxergasse tudo colorido. Nas festas ele canta, ri, bate palmas. Ao lado dele, de camisa xadrez, o companheiro dele, Mike, jantam sempre juntos, fumam juntos lá fora depois do jantar.
Adoro servir a mesa dele! Tenho sempre que dizer a ele o que tem no prato, e independente do que seja, ele sempre acha bom, e agradece. Mesmo sem enxergar o mundo, este homem consegue ser grato.

Mas uma velhinha que tenho verdadeira paixão é a Laura. Tem algo naquela velhinha que nao sei explicar, mas me puxa para ela. Sempre arrumadinha, com o chapéu combinando com a roupa. E tem uma voz muito dela. Um jeito de se expressar muito especial.
Eu chego e ela diz: "Hi!!!!! What do you know?" Uma expressao que os americanos usam para dizer: "Ola! conte as novidades!".
Sento com ela em sua cama, e ela conversa. Ela escuta pouquissimo, levo meu caderno, escrevo, e ela responde. E assim fico conversando em seu quarto. Dessa ultima vez ela contou suas viagens com seu marido, e falou das borboletas. A Laura adora borboletas. Tem um quadro com uma borboleta colorida, em cima de sua cama. Perguntei porque. Ela disse que gostava do colorido delas, e do modo que elas voavam livres. Falou-me das borboletas no campo. E eu parecia enxergar a beleza da descrição.

Quando sirvo o jantar no restaurante, ela me pede café a toda hora. Ela adora! Entao dessa ultima vez, tirei sua foto tomando café usando o chapéuzinho novo que ela colocou. Vejam que gracinha:



Essa e a foto anterior dela:




Ela sempre me conta as coisas de um modo detalhado, muito proprio dela. Tenho um carinho imenso por essa velhinha.

Em cada lugar que vou ali, tem uma historia.

Comove-me sobremaneira um homem que vem todas as tardes sentar com sua mulher para jantar. Ela teve derrame. Ele senta pacienciosamente com ela, e dá a comida na boca. Quando coloco a comida na mesa, ele diz para ela: "Hummm que delicia, veja!". Ela olha como se seu olhar nao estivesse ali.... e ele sempre com aquela paciencia. Mostrando-se alegre. Mas muitas vezes eu capto seu olhar distante na mesa, olhando por um momento para o vazio.
Um dia desses eu vi a fotografia deles quando jovens. Está pendurada no corredor onde tem os quartos. Um casal bonito, alegre, sorrindo abraçados.
Então por um instante a gente tem um rapido sentido da vida. Das mudanças.

Continuo visitando tambem o Norman, lembram dele?



Ele sempre me conta historias interessantes de vida. Outro dia estava contando o quanto gostava de cozinhar para os filhos. E queria muito que eles comessem espinafre. Entao inventava receitas diferentes. Fala de receitas, de guerra, da familia, dos netos, dos filhos. Tem uma memoria invejavel! Muito lucido, nao se esquece de pequenos detalhes. Gosta de falar da Guerra em que esteve. Dos amigos que perdeu. Das medalhas que ganhou. Quando saio de seu quarto, levo sempre comigo papeis que ele me da.
Esta e a sua foto quando lutou na 2a. Guerra Mundial.




Visito tambem aquela mulher que perdeu o marido com derrame cerebral. A semana passada eu havia ido visitá-la e encontrei sua cama arrumadinha, e ninguem no quarto. Levei um susto, achando que havia acontecido algo com ela. Mas ela havia ido ao funeral de sua irma que havia morrido. Nessa semana entao fui visitá-la e me preparei interiormente para ouvi-la, e dizer umas palavras consoladoras. No entanto ela estava bem. Vejo que Deus nos dá uma compreensao acima dos limites nessa idade. Tudo parece uma decorrencia normal da vida (e é !) mas que é aceita de um modo mais facil e simples do que quando somos jovens.

Essa é a foto dela, que coloquei no meu post anterior, no dia do seu casamento:



Eu me emociono com a ingenuidade dela, quando me conta que ela o conheceu com 16 anos, foi seu primeiro e unico namorado. E ela descreve quando o viu pela primeira vez, ela estava numa estação de trem, e que ele veio falar com ela. Seus olhos sempre brilham com essa lembrança, e ela sempre repete essa historia como se fosse a primeira vez que estivesse me contando. E o engraçado é que toda vez que eu a escuto, parece mesmo a primeira vez, pelo brilho de seus olhos, pela empolgação meiga de suas palavras.

Sinto-me util. Sinto-me necessaria naquele mundo onde muitos estacionaram. E eu me sinto me movendo, e de uma certa forma, trazendo alegria a eles. Brinco muito. Sorrio muito. Exercito minha paciencia. E sempre agradeço por Deus ter me colocado naquele lugar e me fazer enxergar coisas que nunca enxerguei.


Mary Fioratti